Brasil Urgente

Bolo envenenado: Brasil Urgente reconstitui crime que deixou quatro mortos e destruiu família

O Brasil Urgente usou a tecnologia da inteligência artificial para explicar a história que destruiu uma família no Rio Grande do Sul.

CARLA RAMIL

26/02/2025 • 19:21 • Atualizado em 26/02/2025 • 19:21

Resumo

Essa é uma daquelas histórias que parecem enredo de filme, mas que revelam a dura realidade de uma família gaúcha que tem vivido dias de terror.

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Para a polícia do Rio Grande do Sul não há dúvidas de que Deise Moura dos Anjos, de 42 anos, envenenou nove parentes e causou a morte de, ao menos, quatro deles.

O Brasil Urgente usou a tecnologia da inteligência artificial para explicar a história que destruiu uma família no Rio Grande do Sul.

Entenda

O caso do bolo envenenado virou notícia em todo o país. Era 23 de dezembro. Zeli dos anjos, de 61 anos, sogra de Deise, quis reunir a família para um café da tarde em comemoração ao Natal.

Cozinheira de mão cheia, decidiu fazer um tradicional bolo natalino. Inspirada, separou todos os ingredientes para preparar a sobremesa. A decoração era o momento mais esperado por Zeli. Caprichosa, peneirou com cuidado, açúcar de confeiteiro em todo o topo do bolo e por cima enfeitou com cerejas em calda.

O encontro seria em Torres, cerca de 35km de Arroio do Sal, onde mora. Deise pegou o carro e foi encontrar as duas irmãs, dois sobrinhos e dois cunhados.

A família se reuniu em volta de uma grande mesa. Entre uma conversa e outra, Zeli serviu uma fatia do bolo a todos os parentes, que logo começaram a passar mal. Todos foram socorridos com sintomas, que inicialmente, pareciam ser de intoxicação alimentar.

No dia seguinte veio o primeiro baque. As duas irmãs de Zeli morreram por complicações. Neuza Silva, de 65 anos e Máida Silva, de 59. Depois, já no dia de Natal, a filha de Neuza, Tatiana Silva, de 47 anos, também faleceu. O filhinho dela, de 10 anos, permaneceu internado, assim como Zeli.

Exames feitos nas vítimas mostraram altas concentrações de arsênio no sangue, uma substância extremamente tóxica, usada na fabricação de pesticidas. A presença do veneno chamou a atenção das autoridades, que começaram a investigar o caso. Aquilo não parecia intoxicação alimentar, mas sim, homicídio. Mas quem teria motivos para matar a família?

Depois de ouvir muitos parentes a polícia esteve na casa de Zeli. Todos os ingredientes usados no bolo foram apreendidos. Exames periciais concluíram uma grande concentração de arsênio misturada à farinha de trigo.

Ao ter alta do hospital, Zeli prestou depoimento e contou que a nora Deise havia tido problemas com muitas pessoas da família e que esteve na casa dela cerca de um mês antes das mortes e que poderia ter misturado o veneno à farinha de trigo.

A polícia descobriu que Deise fez duas compras de arsênio pela internet. Uma, em setembro e outra, em dezembro do ano passado. Além de ter pesquisado sobre venenos que matam humanos, mais de cem vezes, no buscador do celular. A polícia solicitou a prisão temporária dela, que foi acatada pela justiça.

As descobertas fizeram a polícia abrir o leque da investigação. É que três meses antes do caso do bolo envenenado, o sogro de Deise, Paulo Luiz dos Anjos, havia morrido após uma intoxicação alimentar.

Por conta do que, até então, seria uma coincidência, a justiça autorizou uma nova exumação do corpo. Os resultados mostraram que o idoso também tinha sido envenenado com arsênio. A morte dele ocorreu dois dias depois de uma visita da nora, que ofereceu aos sogros uma vitamina de banana com leite em pó. Luiz e a esposa passaram mal. Ela teve alta e ele, faleceu. O caso ocorreu em setembro do ano passado, mesmo período em que Deise comprou o veneno pela primeira vez, na internet.

A partir daí as desconfianças da polícia só aumentaram. A investigação descobriu que no dia 17 de dezembro, quando Deise comprou arsênio pela segunda vez, ela teria tentado matar o marido, Diego dos Anjos. Serviu a ele um suco de manga envenenado, mas o filho do casal também teria tomado a bebida. Em desespero Deise obrigou o menino a vomitar, o que marido também fez. Os dois passaram mal e ficaram internados, mas sobreviveram. A polícia solicitou que pai e filho fizessem novos exames e os peritos ainda encontraram traços de arsênio no corpo deles.

Deise foi casada com Diego por 24 anos. Em depoimento à polícia, ele disse que a mulher sempre foi manipuladora, possessiva e extremamente ciumenta. E não somente com ele. Os conflitos se estendiam à família.

Antes de ser presa e certa da impunidade, Deise foi visitar a sogra no hospital logo após o envenenamento. Ela levou pastel e chocolates para Zeli. Os parentes, já desconfiados, não deixaram a vítima comer os alimentos, que foram apreendidos e encaminhados à perícia.

A mulher ainda é investigada pela morte do próprio pai. José moura, de 67 anos, que em 2020 faleceu, supostamente, por cirrose. Deise também tinha uma série de conflitos com ele.

Deise ficou presa pouco mais de um mês na penitenciária estadual feminina de Torres, no Rio Grande do Sul.

No dia 13 de fevereiro, Deise foi encontrada morta na prisão. A principal hipótese é de suicídio. Exames periciais apontaram morte por enforcamento. Na cela dela foi apreendida uma camiseta em que a moça teria escrito com uma caneta, que não era uma assassina.

Um dia antes, um advogado do marido esteve no presídio e informou a decisão de Diego em formalizar o divórcio. Desde então, Deise teria apresentado alterações de comportamento. Com a morte dela, o caso deve ser arquivado pela Justiça.

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