Brasil Urgente

Brasileiro traficado por máfia chinesa era obrigado a aplicar golpes em Mianmar

Philipe de Moura Ferreira, de 26 anos, contou os horrores que viveu sob a mira dos bandidos e como colocou em prática plano de fuga

Da redação
DA REDAÇÃO

12/02/2025 • 19:04 • Atualizado em 12/02/2025 • 19:04

O jovem brasileiro Philipe de Moura Ferreira estava sob o poder de mafiosos chineses em Mianmar, na Ásia. Teve o passaporte tomado e foi obrigado a trabalhar mais de 15 horas por dia sem salário. A função era aplicar golpes pela internet. Quando não batia meta, era espancado.

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O brasileiro Lucas Viana dos Santos passou pela mesma situação. Os jovens, assim como muitos outros imigrantes que estavam em cárcere, foram atraídos com promessas falsas de emprego. Philipe conseguia falar com o pai por um perfil falso.

“Aí meu filho ficava falando: ‘Pai, eles deixaram eu e Lucas dormindo na chuva. Deram paulada, eletrocutaram. Se não der resultado, vão tirar nossos órgãos’”, disse o pai da vítima.

Cansados de ouvir que a embaixada estava negociando com as autoridades locais para libertá-los, os brasileiros planejaram fugir. O jovem de 26 anos contou que pessoas que moram em Mianmar iriam ajudar, cortando a energia do local onde as vítimas de tráfico humano ficavam presas. Enquanto isso, o pai buscava apoio com uma ONG internacional.

Os brasileiros fugiram na madrugada do dia 9 de janeiro, mas a iniciativa não foi bem-sucedida. Em entrevista exclusiva ao Brasil Urgente, direto da Tailândia, Philipe contou que o plano deveria ser executado no ano-novo chinês.

“A gente tinha marcado de fugir no ano-novo chinês, mas não deu certo. Tinham 500 soldados lá fora”, contou o jovem traficado.

Quando enfim a fuga deu certo, o brasileiro contou que ele e os demais imigrantes precisaram escalar quatro montes para chegarem até um rio e atravessarem a fronteira. Durante o trajeto, foram encontrados por guardas que tinham ligação com a máfia chinesa.

“Aí o segurança veio, tacou um cassetete na minha cabeça e me levou para o quarto. Veio o chefe da gente e espancou todo mundo. Tô com os braços e pernas roxos”, continuou Philipe.

Quase 10 horas depois, eles foram resgatados e levados para a Tailândia por agentes do DKBA, o Exército Democrático Karen Budista, rebeldes dissidentes das forças armadas de Mianmar, e conseguiram negociar com os mafiosos, a pedido da ONG.

“A embaixada do Brasil vai provar para a Tailândia que eles [Philipe e Lucas] foram traficados. O governo da Tailândia vai liberá-los. A embaixada e a ONG vão deportar para o Brasil”, disse o pai.

Em nota, o Itamaraty, por meio das embaixadas em Mianmar e na Tailândia, disse que vinha solicitando os esforços das autoridades competentes desde outubro do ano passado e que manteve contato permanente com as famílias.