Brasil Urgente

Advogado carioca morto em SP: Polícia busca suspeito e ouve amigo

Testemunha-chave presta depoimento presencial no DHPP; imagens mostram homem cuidando da senha da vítima antes de tentativa de saque de R$ 10 mil

SANDRA REDIVO

17/07/2026 • 17:00 • Atualizado em 17/07/2026 • 17:02

O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) avançou nas investigações sobre a morte do advogado Pedro Ely Cordeiro, de 43 anos. Ele era do Rio de Janeiro, estava em São Paulo para assistir a um jogo da Copa do Mundo e acabou encontrado morto na Vila Madalena, na Zona Oeste da capital paulista. A polícia trabalha agora na identificação de duas novas pessoas que estiveram com a vítima antes do crime e colhe o depoimento presencial de uma testemunha-chave.

Compartilhar

Nesta sexta-feira (17), um amigo de Pedro compareceu ao Palácio da Polícia para prestar depoimento formal. Até então, ele havia conversado com os investigadores apenas por telefone. Esse amigo foi a pessoa que dividiu a primeira corrida de carro de aplicativo com o advogado na noite do sumiço e desembarcou antes, no bairro de Moema, deixando a vítima no veículo.

De acordo com a delegada Ivalda Aleixo, diretora do DHPP, a linha de investigação mudou drasticamente após a análise de novas imagens de segurança de uma tabacaria, expandindo para três o número de pessoas que precisam ser formalmente ouvidas no caso.

Flagrante em tabacaria e tentativa de golpe de R$ 10 mil

As imagens de monitoramento mostram o advogado Pedro realizando um pagamento de aproximadamente R$ 26 no balcão do estabelecimento. No vídeo, um homem vestindo um boné branco aparece ao lado da vítima, observando atentamente o momento em que o advogado digita a senha na máquina de cartões.

A suspeita da polícia é que o homem tenha memorizado os dados bancários. Logo após o encontro, criminosos tentaram realizar um saque de R$ 10 mil da conta de Pedro durante a madrugada. O golpe só não foi concretizado porque a instituição financeira bloqueou a transação devido ao horário.

A investigação também aponta que o advogado apresentava movimentos lentos e letárgicos nas imagens, o que levanta a hipótese de que ele estivesse embriagado ou sob o efeito de alguma substância, como o golpe do "boa noite, Cinderela". A polícia tenta identificar o homem de boné branco, que aparece de forma nítida no circuito de segurança.

Trajeto confuso e mistério com sinal de celular na Paulista

O percurso feito por Pedro antes de morrer ainda intriga os investigadores. Após deixar o amigo em Moema por volta de 1h da manhã, o advogado deveria ter seguido para o hotel onde estava hospedado. No entanto, quase três horas depois, ele retornou à mesma região da Vila Madalena de onde havia saído. Ele passou mal na calçada e morreu antes da chegada do socorro médico, sem marcas aparentes de violência e sem portar documentos ou o celular.

O mistério aumenta com o rastreamento do aparelho telefônico de Pedro. Enquanto o corpo do advogado estava na calçada da Vila Madalena, o celular dele realizou uma chamada telefônica partindo da Avenida Paulista, um ponto distante de onde ele faleceu. A ligação foi direcionada para uma empresa de investimentos na qual a vítima possuía conta, reforçando a tese de motivação financeira por trás do crime.

Mistério sobre o transporte da vítima

Outro ponto crucial para o DHPP é identificar uma mulher que dirigia um carro de passeio. Testemunhas relataram ter visto essa motorista deixando o advogado, que já passava muito mal, no local exato onde ele viria a ser encontrado sem vida.

A polícia já checou os registros telefônicos e confirmou que Pedro não solicitou uma segunda corrida por aplicativos de transporte após se despedir do amigo. A investigação busca esclarecer se a mulher ou o homem de boné branco teriam chamado o veículo ou se o transportaram por meios próprios até o ponto de abandono.