
PMs acusados pela morte de Gritzbach
Band TV
Três policiais militares estarão no banco dos réus e serão julgados acusados de participar, diretamente, da execução de Vinícius Gritzbach, conhecido como ‘delator do PCC’. O julgamento começou nesta segunda-feira (22).
Os advogados dos três policiais supostamente envolvidos no crime conversaram, com a imprensa na chegada ao Fórum Criminal de Guarulhos, na Grande São Paulo. Segundo eles, os réus são inocentes, não estavam no local do crime e são vítimas de uma “manipulação” feita pela Polícia Civil.
O cabo Denis Antônio Martins e o soldado Ruan Silva Rodrigues são apontados como atiradores. O tenente Fernando Genauro é acusado de dirigir o carro usado no assassinato.
O relatório final da investigação foi apresentado pelo Departamento de Homicídios em março do ano passado. No entanto, o Ministério Público pediu um novo inquérito, já que na avaliação dos promotores seria improvável que os dois integrantes do PCC apontados pela polícia como mandantes tivessem contratado os executores sozinhos, sem participação de líderes da facção e até de autoridades policiais ligadas ao crime organizado.
Segundo a Polícia Civil, os mandantes da morte de Gritzbach seriam integrantes do PCC, João Castilho, o Cigarreira, Diego Ales, o Didi e o olheiro Kaue do Amaral Coelho. Todos estão foragidos.
Gritzbach foi morto com 10 tiros de fuzil durante o desembarque no aeroporto Internacional de Guarulhos. Apesar das suspeitas, o inquérito não conseguiu comprovar a ligação dos executores com a escolta de Gritzbach. Os PMs contratados por Vinicius deveriam esperar o delator na saída do terminal, mas três deles ficaram em um posto de gasolina por um problema no carro.
Motivação do homicídio
Ainda segundo a investigação, a motivação do homicídio seria vingança por três episódios: O primeiro seria a morte do líder do PCC, Anselmo Santa Fausta, o Cara Preta, em dezembro de 2021. O segundo foi o desvio de parte de um investimento feito pelo PCC em criptomoedas. O desfalque na facção rendeu a Gritzbach ameaças, sequestro e até o julgamento no tribunal do crime, mas foi liberado e, por último e o que pode ter sido determinante: a delação premiada de Gritzbach com o Ministério Público de São Paulo.
Além disso, existe a suspeita de que policiais civis presos pela Polícia Federal por lavagem de dinheiro, tráfico, corrupção e diversos outros crimes estejam ligados ao homicídio. Outra hipótese levantada é que o assassinato esteja relacionado com um kit de joias, avaliado em mais de 1 milhão de reais que Gritzbach recebeu dias antes do crime durante viagem a Alagoas.
Quando foi morto no aeroporto, Gritzbach estava com as joias. Mas essa é a menos provável até agora. Os três policiais militares presos, que serão julgados daqui 4 meses, permanecem presos em regime fechado.
Julgamento no Fórum de Guarulhos
O júri de PMs acusados de matar Vinicius Gritzbach começou nesta segunda (22) no Fórum Criminal de Guarulhos, grande São Paulo, para julgar três policiais militares apontados como executores do atentado ocorrido no aeroporto em 2024.
Enquanto os promotores sustentam a tese de execução paga, os advogados de defesa alegam inocência e afirmam que o julgamento da morte de Gritzbach foi manipulado para acobertar os verdadeiros mandantes. O ataque contra o empresário e delator do PCC também resultou na morte do motorista de aplicativo Celso Novais, cuja perda foi relembrada no primeiro dia de depoimentos pela viúva do motorista morto em ataque.
O julgamento dos policiais será conduzido pelo juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo, o mesmo que atuou no julgamento do Massacre do Carandiru.
Além do envolvimento na execução de Gritzbach, eles também são acusados pela morte do motorista de aplicativo Celso Novais, que passava pelo local no momento dos tiros, e pelo ferimento de duas pessoas, atingidas por estilhaços dos disparos.
A execução do empresário ocorreu em 8 de novembro de 2024 no Terminal 2 do Aeroporto Internacional de Guarulhos.
Gritzbach era réu por homicídio e acusado de envolvimento em esquemas de lavagem de dinheiro para a organização criminosa PCC.
Antes de ser assassinado, ele havia assinado uma delação premiada com o Ministério Público, entregando nomes de pessoas ligadas ao PCC e também acusando policiais de corrupção.
Como funciona o júri popular
O júri popular é um órgão especial da Justiça, previsto na Constituição, com competência exclusiva para julgar crimes dolosos contra a vida.
Nesse tipo de julgamento há a participação de sete jurados, que são selecionados entre a população em geral, e que vão decidir se os réus são inocentes ou culpados do crime.
O julgamento tem início com a seleção dos jurados. Depois, começam a ser ouvidas as testemunhas que foram arroladas tanto pela defesa quanto pela acusação, formada pelo Ministério Público, que será representado pelos promotores Vania Caceres Stefanoni e Rodrigo Merli Antunes.
Para o julgamento deverão ser ouvidas 21 testemunhas.
Na etapa seguinte, os três réus serão interrogados. Em seguida ocorre a fase de debates, com a argumentação da acusação e da defesa e só então os sete jurados vão se reunir para decidir o destino dos três policiais: se eles serão condenados ou absolvidos pelos crimes.
O que diz o inquérito
Em março do ano passado, a Polícia Civil concluiu a investigação sobre o assassinato de Gritzbach e indiciou seis pessoas pelo crime. Segundo a polícia, o crime foi motivado por vingança e também pelo fato de o delator ter mandado matar dois aliados de lideranças do grupo criminoso na região metropolitana de São Paulo. Na ocasião foram indiciados:
- Emílio Carlos Gongorra Castilho (o Cigarreira): líder do PCC e mandante do crime
- Diego dos Santos Amaral (o Didi): líder do PCC e mandante do crime
- Kauê do Amaral Coelho: informante, monitorou o delator e avisou os executores
- Fernando Genauro: policial militar e executor do crime
- Denis Antonio Martins: policial militar e executor do crime
- Ruan Silva Rodrigues: policial militar e executor do crime
Os dois primeiros estão foragidos e enfrentam processo separado. Por sua vez, o processo de Kauê do Amaral Coelho foi desmembrado e não será julgado nessa etapa.
Os três policiais (Genauro, Martins e Rodrigues) estão no Presídio Militar Romão Gomes e são os que vão enfrentar o júri popular. O cabo Denis Martins e o soldado Ruan Rodrigues foram acusados pelo Ministério Público de usar fuzis para matar Gritzbach. Já o tenente Fernando Genauro teria levado a dupla de carro até o local da execução e depois ajudado os criminosos a fugirem do local.
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