
Vinicius Gritzbach foi executado em SP
Reprodução/Band
A viúva do motorista de aplicativo Celso Araújo Sampaio de Novais, morto no ataque que também executou o delator do Primeiro Comando da Capital (PCC) Antônio Vinicius Gritzbach no Aeroporto Internacional de Guarulhos, relatou nesta segunda-feira (22) o impacto da perda no júri dos três policiais militares acusados pelo crime.
O julgamento dos executores do empresário e do motorista de aplicativo começou nesta segunda-feira (22). A previsão inicial é de que o júri popular dure em torno de cinco dias.
Viúva relata últimas horas do marido
Em depoimento por volta das 11h, na Vara do Júri de Guarulhos, a agente de saúde Simone Dionízio Fernandes Novais disse que perdeu o "companheiro de vida" e descreveu Celso como o responsável por sustentar a casa e cuidar dos três filhos do casal, hoje com 22, 15 e 5 anos.
Ela contou que o marido ligou cerca de 40 minutos antes do atentado, ocorrido às 16h de 8 de novembro de 2024, para avisar que já tinha arrecadado o valor necessário para pagar mais uma parcela do Jeep Renegade recém-comprado, que, segundo Simone, era o "sonho" de Celso. O motorista planejava voltar para casa, mas decidiu ficar um pouco mais no aeroporto para tentar garantir dinheiro extra e comprar comida japonesa para a família, a pedido de um dos filhos. Essa foi a última conversa do casal.
Simone relatou que, após os disparos, Celso ainda tentou telefonar, mas ela não viu a chamada. Um amigo do motorista ligou em seguida para informar o atentado. No caminho para o Hospital Geral de Guarulhos, ela recebeu um vídeo do marido na ambulância. Segundo a viúva, Celso já estava sedado na UTI quando a família conseguiu vê-lo, e o filho mais novo pedia para o pai levantar. Ele não resistiu aos ferimentos.
Família cobra responsabilização e relata dificuldades
Diversos familiares do motorista acompanharam a sessão do júri, entre eles mãe, irmã, tia e primos. A mãe de Celso, Aparecida Camila de Araújo, de 65 anos, viajou de Brasília para assistir ao julgamento. "Eu quero Justiça. Não só para o Vinícius, mas o meu filho Celso precisa de Justiça", afirmou, ao lembrar que o filho trabalhava e era pai de três crianças.
Simone disse que, desde que foi intimada para depor, em abril, não conseguiu mais trabalhar. Segundo ela, um psiquiatra a afastou das atividades por falta de condições emocionais. A viúva afirmou ainda que devolveu o Jeep por não conseguir pagar as parcelas e que enfrenta dificuldades para arcar com aluguel, luz e internet, despesas que antes ficavam sob responsabilidade do marido. Na avaliação de Simone, Celso era um pai presente e dedicado, que "não deixava faltar nada" aos filhos.
Julgamento de três PMs deve durar a semana
O julgamento dos três policiais militares acusados de participação na morte de Gritzbach e de Celso começou às 10h desta segunda-feira (22), na Vara do Júri de Guarulhos. Os réus respondem por homicídio quadruplamente qualificado, pela morte do motorista e pelas tentativas de homicídio de duas outras pessoas atingidas no ataque, identificadas como Wilson e Samara.
A previsão é que o júri popular se estenda até sexta-feira (26). Durante a formação do conselho de sentença, a defesa recusou sete candidatos a jurado, enquanto a acusação rejeitou um. Depois da escolha dos sete integrantes, a primeira testemunha foi chamada a depor.
Execução no aeroporto de Guarulhos
De acordo com a acusação, Gritzbach foi morto com oito tiros de fuzil em 8 de novembro de 2024, na área de desembarque do Aeroporto Internacional de Guarulhos. Ele foi abordado por homens que desceram de um Gol preto e o emboscaram no local. Os disparos também atingiram o motorista de aplicativo, que trabalhava no terminal.
Segundo o Ministério Público, o delator colaborava com investigações sobre esquemas de lavagem de dinheiro do tráfico internacional de drogas em São Paulo e havia uma oferta de recompensa de R$ 3 milhões por sua morte. A promotoria sustenta que os policiais receberam pagamento em criptomoedas para executar o crime.
Defesa fala em armação e cita “banda podre”
São réus o soldado Ruan Silva Rodrigues, de 33 anos, o cabo Dênis Antonio Martins, de 41, e o tenente Fernando Genauro da Silva, de 35. Conforme a denúncia, Ruan e Dênis teriam feito os disparos de fuzil, enquanto o tenente seria o motorista do Gol responsável por dar fuga aos autores do ataque. Todos afirmam que são inocentes.
A defesa alega que os três militares sofreram uma armação da Polícia Civil, responsável pela investigação. O advogado Claudio Dalledone Júnior, que representa o soldado Ruan, declarou que pretende "desmascarar" a versão da acusação e sustenta que existia uma "banda podre" na corporação civil que extorquia Gritzbach e teria interesse em sua morte. Os advogados dos réus argumentam que a acusação tenta encobrir os verdadeiros executores do crime, tese que será analisada pelo júri popular ao longo da semana.
Com informações do Estadão Conteúdo.
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