Com imóveis sem luz, Nunes ataca Enel e confirma reunião com ministro
Prefeito de São Paulo critica demora da concessionária, aponta responsabilidade federal sobre o contrato e defende gestão municipal sobre poda de árvores

No quarto dia consecutivo de transtornos causados pelo temporal que atingiu São Paulo, cerca de 250 mil imóveis ainda permanecem sem energia elétrica na capital e região metropolitana. Em entrevista ao Brasil Urgente neste sábado, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) atualizou o cenário da crise, fez duras críticas à concessionária Enel e confirmou que participará da reunião de emergência com o Governo Federal na próxima terça-feira.
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Segundo estimativa do prefeito, a falta de luz afeta diretamente cerca de 1 milhão de pessoas. "Estamos de mãos atadas. Não temos o que fazer a não ser lamentar e brigar na justiça para que tire essa empresa daqui", desabafou Nunes, enfatizando que o contrato de concessão, regulação e fiscalização da Enel é de competência do Governo Federal, via Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).
Articulação Política e Intervenção
O governador Tarcísio de Freitas conversou com o presidente Lula, o que resultou na convocação do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. O ministro se reunirá com Lula na segunda-feira em Brasília e virá a São Paulo na terça-feira para um encontro presencial com Tarcísio.
Ricardo Nunes confirmou que estará presente nesta reunião na capital paulista. "Todas as oportunidades que eu tiver para defender a cidade de São Paulo, eu vou estar", afirmou o prefeito.
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A Polêmica das Árvores e a Resposta da Prefeitura
Questionado sobre as reclamações de falta de poda de árvores na cidade, Nunes defendeu a atuação da prefeitura. Ele argumentou que ventos de 90 km/h, registrados durante o temporal, são capazes de arrancar árvores sadias, conforme a escala de Beaufort.
O prefeito apresentou dados e rebateu a ideia de que a vegetação seria a principal culpada pelo apagão: "95% dos casos de falta de energia não têm relação com árvore. Existe um percentual bem pequeno. O problema é a falta de manutenção da Enel e de um trabalho preventivo", disse Nunes.
Ele afirmou ainda que a cidade conta com 162 equipes de plantão (compostas por caminhões, vans, engenheiros agrônomos e motosserras), mas que o trabalho é travado pela concessionária. "Neste exato momento, tenho 14 árvores que caíram em contato com a rede de energia aguardando a Enel desligar a rede para a prefeitura fazer o seu trabalho. A Enel mente, ela não tem equipe", acusou.
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Fiação Subterrânea: Solução Cara
Sobre a possibilidade de enterrar os fios para evitar novos apagões, Nunes explicou que o custo é o maior entrave. Ele citou como exemplo o trecho reformado na Avenida Santo Amaro, onde a Enel cobrou R$ 24 milhões apenas para o enterramento da fiação local.
Apesar do custo, o prefeito afirmou que a prefeitura tem aproveitado obras de requalificação urbana e corredores de ônibus — como em Itaquera, Interlagos e na Zona Norte — para realizar o enterramento dos fios gradualmente.
O contrato da Enel com São Paulo é válido até 2028, mas a pressão política por uma intervenção ou rompimento do contrato cresce à medida que a população segue desassistida.
