Brasil Urgente

Comandante do BOPE detalha conflito: "Eles estavam preparados para a Guerra"

Em entrevista ao Brasil Urgente, o Tenente-Coronel Corbage defende a legitimidade da operação no Complexo da Penha e do Alemão, revelando que os confrontos duraram mais de 17 horas e que os criminosos estavam fortemente armados e camuflados

Da redação
DA REDAÇÃO

31/10/2025 • 17:20 • Atualizado em 31/10/2025 • 17:20

Operação no Rio de Janeiro

Operação no Rio de Janeiro

REUTERS/Aline Massuca

O comandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), Tenente-Coronel Corbage, defendeu veementemente a legitimidade da megaoperação que deixou mais de 120 mortos nos Complexos da Penha e do Alemão, rebatendo acusações de execuções sumárias. Em entrevista, ele apresentou detalhes sobre a intensidade e a duração dos confrontos, destacando o alto nível de preparo dos criminosos.

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"Todos eles estavam camuflados e fortemente armados", afirmou Corbage, descrevendo o cenário encontrado pelas forças de segurança. Segundo ele, os "narcoguerrilheiros" estavam preparados para a guerra, utilizando roupas de camuflagem (ghillie suits) em uma área de mata densa, o que dificultava a identificação. Imagens exclusivas, gravadas pela câmera de um policial, mostraram o momento do intenso tiroteio na mata, corroborando a versão de um confronto real e perigoso.

O comandante revelou que a troca de tiros foi incessante, estendendo-se por quase todo o dia. "Nós chegamos ao local por volta das 5 da manhã e saímos às 22 horas. Em nenhum momento houve interrupção do confronto", detalhou. A decisão de recuar ao anoitecer foi tomada para garantir a segurança dos policiais, já que a visibilidade na mata, agravada pela garoa, tornava a situação ainda mais arriscada.

Acusações de Execuções e Alteração da Cena do Crime

Questionado sobre as alegações de execuções, Corbage foi categórico: "Aqueles que falam que houve execuções são pessoas ou de má-fé, ou que são ignorantes, porque as imagens falam por si só."

Ele também abordou a questão da preservação da cena do crime, explicando que a retirada dos corpos foi realizada sob "fogo intenso". O comandante lamentou que o local tenha sido alterado após a saída da polícia, o que, segundo ele, "pericialmente falando, dificulta muito" o esclarecimento dos fatos e a coleta de provas.

Efetivo Criminoso e Estratégia da Operação

A inteligência policial estimava a presença de cerca de 800 traficantes armados na região, somando os efetivos da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão. A estratégia da operação, explicou Corbage, era "cortar essa linha de suprimento" entre as duas áreas dominadas pela mesma facção criminosa.

Apesar da retirada tática ao anoitecer, o comandante garantiu que a luta não acabou. "Não temos dúvidas de que ainda existem dezenas, centenas de narcoguerrilheiros na área," afirmou, reforçando que a tropa se prepara para retornar. "A hora da preparação já se foi. Nós vamos continuar trabalhando porque vamos voltar."