
Operação no Rio de Janeiro
REUTERS/Aline Massuca
O comandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), Tenente-Coronel Corbage, defendeu veementemente a legitimidade da megaoperação que deixou mais de 120 mortos nos Complexos da Penha e do Alemão, rebatendo acusações de execuções sumárias. Em entrevista, ele apresentou detalhes sobre a intensidade e a duração dos confrontos, destacando o alto nível de preparo dos criminosos.
"Todos eles estavam camuflados e fortemente armados", afirmou Corbage, descrevendo o cenário encontrado pelas forças de segurança. Segundo ele, os "narcoguerrilheiros" estavam preparados para a guerra, utilizando roupas de camuflagem (ghillie suits) em uma área de mata densa, o que dificultava a identificação. Imagens exclusivas, gravadas pela câmera de um policial, mostraram o momento do intenso tiroteio na mata, corroborando a versão de um confronto real e perigoso.
O comandante revelou que a troca de tiros foi incessante, estendendo-se por quase todo o dia. "Nós chegamos ao local por volta das 5 da manhã e saímos às 22 horas. Em nenhum momento houve interrupção do confronto", detalhou. A decisão de recuar ao anoitecer foi tomada para garantir a segurança dos policiais, já que a visibilidade na mata, agravada pela garoa, tornava a situação ainda mais arriscada.
Acusações de Execuções e Alteração da Cena do Crime
Questionado sobre as alegações de execuções, Corbage foi categórico: "Aqueles que falam que houve execuções são pessoas ou de má-fé, ou que são ignorantes, porque as imagens falam por si só."
Ele também abordou a questão da preservação da cena do crime, explicando que a retirada dos corpos foi realizada sob "fogo intenso". O comandante lamentou que o local tenha sido alterado após a saída da polícia, o que, segundo ele, "pericialmente falando, dificulta muito" o esclarecimento dos fatos e a coleta de provas.
Efetivo Criminoso e Estratégia da Operação
A inteligência policial estimava a presença de cerca de 800 traficantes armados na região, somando os efetivos da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão. A estratégia da operação, explicou Corbage, era "cortar essa linha de suprimento" entre as duas áreas dominadas pela mesma facção criminosa.
Apesar da retirada tática ao anoitecer, o comandante garantiu que a luta não acabou. "Não temos dúvidas de que ainda existem dezenas, centenas de narcoguerrilheiros na área," afirmou, reforçando que a tropa se prepara para retornar. "A hora da preparação já se foi. Nós vamos continuar trabalhando porque vamos voltar."
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