
Comandante do Choque detalha combate ao crime organizado em São Paulo
Reprodução/Brasil Urgente
O Coronel Valmor Racorti, comandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar de São Paulo, concedeu uma entrevista ao programa Brasil Urgente, onde detalhou a complexa estratégia por trás das operações contra o crime organizado.
A conversa, ilustrada com imagens de ações da ROTA (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) e do GATE (Grupo de Ações Táticas Especiais), ofereceu um vislumbre do planejamento meticuloso que antecede a saída das tropas para as ruas.
Questionado sobre como as operações são desenhadas, o Coronel Racorti explicou que o trabalho começa muito antes da ação tática. "Rotineiramente, é realizado um serviço estatístico, juntamente com a divisão operacional e o serviço de inteligência", afirmou. Essa análise prévia permite que as equipes já saiam para o campo com missões específicas, direcionadas a locais onde há informações consistentes sobre a forte atuação do crime, como pontos de venda de entorpecentes.
Integração e Ativos Operacionais
Um dos pontos centrais da estratégia é a capacidade de empregar o "ativo operacional" mais adequado para cada situação. Racorti citou exemplos:
Essa seleção criteriosa é fruto do trabalho integrado de inteligência, garantindo que a força empregada seja a mais eficaz para o cenário encontrado.
Resultados Concretos e Parcerias Estratégicas
O comandante ressaltou a importância da atuação em parceria com outras agências, destacando a colaboração com o GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público. Essa parceria tem gerado resultados expressivos na asfixia financeira das facções.
"Só o Cyber GAECO resultou na apreensão de 74 milhões de reais", revelou Racorti, citando operações de grande impacto como a "Operação Fim de Linha" e a "Operação Carbono Oculto", que investigaram e desarticularam a infiltração do crime organizado em empresas de ônibus e postos de combustíveis.
Outro ponto de destaque foi o combate ao narcotráfico nas fronteiras e rodovias do estado, através do "Projeto Muralha". Em parceria com a Polícia Rodoviária e a FICCO (Força Integrada de Combate ao Crime Organizado), da Polícia Federal, a PM de São Paulo alcançou um recorde histórico no ano passado: a apreensão de 24 toneladas de cocaína.
A entrevista deixou claro que o combate ao crime em São Paulo vai além da força ostensiva, baseando-se em uma doutrina de inteligência, planejamento estratégico e integração entre diversas forças de segurança para atacar o crime em suas diferentes frentes: tática, logística e, principalmente, financeira.
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