Brasil Urgente

Corpos achados em cidade de SC são de amigos desaparecidos

Vítimas de Minas Gerais e São Paulo foram encontradas com sinais de tortura; investigação apura se grupo foi morto por engano por facção criminosa.

MARCELO MOREIRA

05/01/2026 • 18:23 • Atualizado em 05/01/2026 • 18:23

Amigos desaparecidos em Santa Catarina

Amigos desaparecidos em Santa Catarina

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A Polícia Científica de Santa Catarina confirmou, neste domingo (4), que os quatro corpos encontrados em uma área de mata em Biguaçu, na Grande Florianópolis, pertencem aos jovens que estavam desaparecidos desde o dia 28 de dezembro. Daniel Luiz da Silveira, de 28 anos, Bruno Máximo da Silva, de 28, Guilherme Macedo de Almeida, de 20, e Pedro Henrique Prado de Oliveira, de 19, foram localizados em uma vala com as mãos amarradas e sinais de tortura extrema.

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As vítimas eram amigas e dividiam um apartamento em São José, cidade vizinha à capital catarinense. Os jovens se mudaram para a região em busca de oportunidades de trabalho. Bruno, Daniel e Guilherme eram naturais do Sul de Minas Gerais, enquanto Pedro Henrique era do interior de São Paulo.

Dinâmica do desaparecimento e investigação

O grupo foi visto pela última vez na madrugada de um domingo, quando câmeras de segurança flagraram o momento em que deixaram o prédio onde moravam. Um dos rapazes teria informado a um conhecido que iriam até uma praia em Florianópolis para assistir ao nascer do sol. No entanto, o comportamento das vítimas no apartamento sugere que eles planejavam retornar rapidamente.

De acordo com relatos de familiares e vizinhos, a porta do imóvel foi deixada destrancada, as janelas estavam abertas e havia comida sobre o fogão. Além disso, objetos pessoais e carregadores de celular foram encontrados conectados às tomadas, reforçando a tese de que o grupo não pretendia se ausentar por muito tempo.

A ausência de notícias mobilizou as famílias, que registraram o boletim de ocorrência no dia 30 de dezembro. Após quatro dias de buscas, a Polícia Militar localizou os corpos em estado de decomposição às margens de uma estrada no bairro Fundos, em Biguaçu.

Hipótese de crime por engano

A Polícia Civil de Santa Catarina trabalha com diferentes linhas de investigação, mas uma das principais hipóteses é que os jovens tenham sido vítimas de um tribunal do crime. Os investigadores apuram se o grupo foi confundido com integrantes de uma organização criminosa rival à que atua na região da Grande Florianópolis.

O foco da perícia agora se volta para as redes sociais das vítimas. A polícia analisa fotos e vídeos onde os rapazes aparecem fazendo gestos com as mãos, como o sinal conhecido como "Tudo 3". Para os investigadores, o símbolo pode ter sido interpretado por criminosos locais como uma alusão ao Primeiro Comando da Capital (PCC), facção rival ao grupo predominante em Santa Catarina.

Até o momento, as autoridades não identificaram suspeitos de participação no sequestro e nos homicídios. A quebra do sigilo telefônico das vítimas foi solicitada para auxiliar na identificação do trajeto percorrido pelo grupo e de possíveis contatos feitos antes das mortes.

Quem eram os jovens

Os quatro amigos compartilhavam o sonho da independência financeira no Sul do país. Pedro Henrique, o mais jovem, trabalhava em um restaurante e foi o primeiro a se estabelecer em São José, alugando o apartamento para dividir os custos com os amigos.

Bruno Máximo, pai de duas crianças, estava em Santa Catarina há dois meses e começaria a trabalhar como soldador em uma indústria em janeiro. Daniel Luiz e Guilherme Macedo também chegaram recentemente ao estado com empregos já garantidos. As famílias aguardam a liberação dos corpos para os sepultamentos em suas cidades de origem.