
Oliver Grayson, morto pelo próprio pai no RS
Reprodução/Band
Três casos de violência contra crianças em diferentes estados vieram a público e reacenderam o debate sobre a proteção de menores no País. Em Goiás, um menino de dez anos foi resgatado após ser mantido trancado sozinho em um apartamento. No Paraná, um pai foi preso por chutar a filha de três anos na rua e no Rio Grande do Sul, uma criança de três anos morreu depois de ser espancada pelo próprio pai.
Em Goiânia, conselheiros tutelares chegaram ao prédio após denúncia de vizinhos e encontraram o menino trancado dentro de um quarto, sem acesso ao banheiro e sem comida. Com sede, ele pediu água pela janela e relatou aos agentes que não havia aplicado a insulina, medicação da qual depende.
Os Bombeiros e a Polícia Militar foram acionados para o resgate. Ao entrar no imóvel, com as portas do apartamento e do quarto trancadas, os agentes encontraram grande quantidade de lixo, roupas sujas e comida estragada.
O resgate ocorreu no dia do aniversário do menino, que foi levado direto para um hospital, onde segue internado sem previsão de alta. A mãe foi presa e autuada por abandono de incapaz. Segundo o Conselho Tutelar, o pai mora no exterior e não tem vínculo direto com o filho. Quando tiver alta, a criança ficará sob a responsabilidade da avó.
No Paraná, o caso de Francisco Beltrão, no sudoeste do estado, foi flagrado por câmeras de segurança. As imagens mostram o homem voltando do supermercado com dois filhos quando, de repente, para e desfere um chute no rosto da filha mais nova. A criança cai e permanece no chão enquanto o pai apenas observa. Uma pessoa que estava do outro lado da rua se aproxima e é confrontada pelo agressor.
A mãe estava fora e só soube da agressão ao ver o vídeo nas redes sociais. Ela registrou boletim de ocorrência. Em depoimento, o homem afirmou ter chutado a criança porque ela chorava. Preso preventivamente, ele é investigado por outras duas possíveis situações de violência contra o filho mais velho. A Justiça concedeu medida protetiva às crianças e à mãe.
O caso mais grave ocorreu em Viamão, onde o missionário norte-americano D'Andre Grayson, de 33 anos, confessou ter matado o filho de três anos e está preso preventivamente. Segundo a delegada responsável, o pai não teria gostado da forma como a criança respondeu a um cumprimento e, a partir disso, passou a agredi-la — motivação que o próprio confessou.
O homem relatou ter dado socos no peito e no abdômen do menino, além de bater a cabeça da criança no chão. Ele mesmo levou o filho ao hospital, onde os médicos, ao constatarem múltiplas lesões, acionaram a polícia, que o prendeu em flagrante.
A investigação aponta que há registros em pelo menos outros dois estados indicando que outros três filhos do casal, de cinco, sete e nove anos, também teriam sido vítimas de agressões semelhantes. A mãe passou a ser investigada por possível omissão e foi presa.
O missionário vivia no Brasil havia cerca de nove anos e havia se mudado para Viamão há aproximadamente seis meses. Nas redes sociais, apresentava-se como missionário e cantor cristão, com mensagens religiosas e vídeos de orações.
Casos semelhantes de crianças mantidas em cárcere têm chocado o País. Em maio, um menino de 11 anos morreu após ser mantido acorrentado pelo próprio pai, em São Paulo.
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