
Jairinho é acusado de matar Henry Borel
Reprodução/Band
A trajetória de Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, é marcada por uma sequência de acusações que vão desde a participação em milícias até crimes de tortura e o assassinato do enteado, Henry Borel, de 4 anos. Médico por formação, mas sem nunca ter exercido a profissão, Jairinho ingressou na política em 2004, seguindo os passos de seu pai, o Coronel Jairo, figura influente na Zona Oeste do Rio de Janeiro e também alvo de investigações criminais.
A ascensão política de Jairinho ocorreu no mesmo ano em que se formou em medicina em uma universidade de Duque de Caxias. Eleito vereador da capital fluminense, ele cumpria seu quinto mandato quando foi preso. No entanto, o histórico de violência atribuído ao ex-parlamentar remonta a quase duas décadas atrás, envolvendo episódios de tortura e ligações com grupos paramilitares que atuam na região do Batan.
Histórico de tortura e ligações com milícias
Em 2008, o nome de Jairinho surgiu em um dos episódios mais graves de ataque à liberdade de imprensa no Rio de Janeiro. Uma equipe de reportagem do jornal O Dia foi submetida a sete horas de tortura por milicianos e policiais militares na Favela do Batan. Na ocasião, uma repórter afirmou ter reconhecido a voz do vereador entre os agressores, mas o envolvimento dele não foi formalmente investigado na época.
A Favela do Batan é considerada reduto político da família Santos. O pai de Jairinho, Coronel Jairo, foi apontado pela CPI das Milícias como um dos chefes da "Liga da Justiça", grupo que posteriormente ficou conhecido como "Bonde do Ecko". O coronel também foi preso na Operação Furna da Onça, desdobramento da Lava Jato, sob acusação de participação em esquemas de corrupção durante a gestão de Sérgio Cabral.
Novas denúncias de agressões contra crianças
Após a prisão pela morte de Henry Borel, novos relatos de violência surgiram contra o ex-vereador. A filha de uma ex-namorada, hoje com 13 anos, prestou depoimento detalhando agressões ocorridas quando ela tinha apenas cinco anos. Segundo o relato, Jairinho torcia os braços e pernas da menina, pisava em seu corpo e praticava métodos de sufocamento, afundando a cabeça da criança em uma piscina.
A adolescente também mencionou que o ex-parlamentar chegou a colocar um saco plástico em sua cabeça para asfixiá-la, método semelhante ao descrito pela equipe de reportagem torturada em 2008. Diante das graves acusações e da repercussão do caso Henry, o Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj) iniciou sindicância para cassar o registro profissional de Jairinho. Paralelamente, a Câmara Municipal deu início aos ritos para a cassação de seu mandato, enquanto o partido Solidariedade já anunciou sua expulsão.
Fique bem informado!
Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail
Escolha quais newsletters quer receber
