Brasil Urgente

Desembargadora Ivana David discute a evolução do crime organizado no Brasil

Ivana concedeu entrevista exclusiva ao Brasil Urgente desta segunda-feira (13)

Da redação
DA REDAÇÃO

13/10/2025 • 18:08 • Atualizado em 13/10/2025 • 18:08

Em uma entrevista exclusiva ao Brasil Urgente desta segunda-feira (13), a desembargadora Ivana David, do Tribunal de Justiça de São Paulo, abordou a complexa e crescente infiltração do crime organizado, especialmente do Primeiro Comando da Capital (PCC), em diversas esferas da sociedade, incluindo a administração pública e o setor financeiro.

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A discussão foi motivada pela morte do empresário Ruy Ferraz Pontes, figura que a desembargadora conhecia.

Durante a conversa, Ivana David destacou a transformação do PCC ao longo dos anos. Segundo ela, a organização criminosa evoluiu de um grupo focado em crimes violentos para uma estrutura que também atua na lavagem de dinheiro em larga escala, investindo em negócios legítimos.

A desembargadora referiu-se a essa nova faceta como o "PCC da Faria Lima", uma alusão à famosa avenida em São Paulo que é o coração do mercado financeiro brasileiro.

David explicou que o combate a essa nova vertente do crime é mais complexo, pois envolve tecnologia e conhecimento financeiro. Ela ressaltou que, enquanto o Brasil não produz cocaína, é o segundo maior consumidor mundial da droga, atrás apenas dos Estados Unidos, o que gera um volume financeiro imenso para as facções. Esse dinheiro, segundo a desembargadora, é lavado através de diversos meios, como a falsificação de produtos agrícolas e a infiltração em igrejas e empresas de tecnologia financeira (fintechs).

A desembargadora enfatizou que a percepção de impunidade alimenta o ciclo criminoso. Ela argumentou que, para combater eficazmente o crime organizado, é crucial não apenas prender os executores, mas também asfixiar financeiramente a organização, identificando e bloqueando o patrimônio obtido ilicitamente. Para ela, o caminho é "tirar o dinheiro do crime", utilizando a tecnologia para rastrear o fluxo financeiro e identificar as lideranças que operam por trás de uma fachada de legalidade.

A entrevista também exibiu diversas imagens de crimes violentos, como assaltos e acidentes, para ilustrar a brutalidade que ainda coexiste com as operações financeiras sofisticadas do crime organizado no país.

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