O Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil investiga a execução do pizzaiolo Gabriel Amorim, ocorridas no Capão Redondo, Zona Sul de São Paulo. Um inquérito apura a suspeita de envolvimento de dois policiais militares na ação, após a família de uma das vítimas relatar que os agentes recolheram cápsulas no local dos disparos logo após o crime.
A ação criminosa foi registrada por câmeras de segurança. As imagens mostram seis atiradores em três motocicletas se aproximando das vítimas antes de realizarem dezenas de disparos. Gabriel Amorim foi alvejado a menos de 100 metros da casa onde morava com a mãe.
Apenas 20 minutos antes da morte do pizzaiolo, os mesmos homens em três motos teriam executado Douglas Miranda, de 21 anos, que estava sentado na calçada perto de sua residência. Na mesma ação, outras três pessoas foram atingidas, incluindo um amigo da vítima que ficou paraplégico e um jovem salvo pelos livros que carregava na mochila.
Em novo depoimento prestado ao DHPP, Daniel, irmão de Gabriel Amorim, relatou ter tido acesso ao inquérito e descoberto a apuração referente à conduta de dois policiais militares. Segundo o parente, uma viatura caracterizada chegou ao local do crime sem ter sido acionada por moradores e os agentes recolheram parte do material balístico.
Apesar de a família ter ouvido mais de 20 disparos na noite do crime, apenas sete cápsulas foram oficialmente recolhidas e apresentadas pela perícia. Daniel afirmou ainda que um dos policiais militares investigados solicitou exoneração do cargo um mês após o assassinato do pizzaiolo e publicou mensagens suspeitas em redes sociais. Para a família, a remoção das cápsulas indica ligação direta entre os agentes e os executores.
Os familiares de ambas as vítimas acreditam que os jovens foram mortos por engano. A suspeita da família de Gabriel é de que a motivação dos executores esteja associada ao furto da motocicleta de um policial militar ocorrido na região em 2023.
Embora os responsáveis pelo furto do veículo tenham sido presos na época, a família aponta que os atiradores agiram em retaliação cega no bairro, atingindo inocentes sem qualquer relação com o delito anterior. A moto de Gabriel foi localizada posteriormente queimada em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo.
A Polícia Civil e o DHPP prosseguem com as diligências para identificar a totalidade dos integrantes do grupo sobre as três motocicletas e esclarecer a participação dos agentes públicos na alteração do local do crime.
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