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Domínio de rotas e atuação transnacional: PCC supera CV e opera como megaempresa

Disputa histórica entre as duas maiores facções do Brasil pela supremacia no tráfico de drogas revela graves falhas na segurança pública do país

FELIPE GARRAFFA

03/11/2025 • 18:15 • Atualizado em 03/11/2025 • 18:15

Domínio de rotas e atuação transnacional: PCC supera CV e opera como megaempresa

Domínio de rotas e atuação transnacional: PCC supera CV e opera como megaempresa

Reprodução/Jornal da Band

A rivalidade histórica entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), as duas maiores facções criminosas do Brasil, revela um cenário de guerra pelo domínio territorial e controle das rotas de tráfico de drogas, em um embate que expõe graves falhas estruturais do Estado.

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Atualmente, o PCC paulista demonstra ter uma organização e um alcance transnacional que o colocam em posição de supremacia, operando com uma estrutura comparável à de uma megaempresa.

A recente megaoperação policial nos Complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, evidenciou o poder de fogo dos grupos criminosos. Foram encontrados 93 fuzis de sete modelos diferentes, 26 pistolas e um revólver, um arsenal significativo nas mãos dos traficantes. A Polícia Federal e as forças de segurança estaduais monitoram a constante evolução da logística e da capacidade de enfrentamento das facções.

A Expansão do PCC e o Controle de Rotas Estratégicas

A disputa entre PCC e Comando Vermelho é motivada pelo interesse mútuo no domínio de territórios essenciais para o controle do tráfico de drogas. Uma das mudanças mais significativas no equilíbrio de poder ocorreu após a execução do narcotraficante Jorge Rafaat, que controlava a fronteira com o Paraguai. Com a morte de Rafaat, a facção paulista assumiu o controle dessa rota, fortalecendo-se consideravelmente.

Apesar de o Comando Vermelho ter perdido espaço nas fronteiras internacionais, a facção manteve seu crescimento no Rio de Janeiro, controlando vastas regiões que anteriormente estavam sob a influência das milícias. No Rio, o CV trava disputas internas e confrontos contra outras facções, como o Terceiro Comando Puro, além da forte atuação das milícias.

Mapa das facções

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta as áreas de domínio consolidado de cada grupo:

  • Comando Vermelho: Rio de Janeiro e Bahia.
  • PCC: São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Roraima.

Nos demais estados brasileiros, a disputa territorial entre as duas facções é marcada por confrontos violentos e intensa beligerância, com destaque para a região amazônica, um novo epicentro da guerra entre os grupos.

O Domínio do Tráfico Internacional e a Estrutura Empresarial

O fator que permite ao PCC ser maior que o Comando Vermelho e manter sua supremacia é o domínio do tráfico internacional de drogas. A exportação de cocaína gera bilhões de reais em lucros para a facção paulista. Em São Paulo, o PCC não enfrenta rivais em seu estado de origem, eliminando qualquer organização criminosa que tente invadir seu caminho e consolidando o controle sobre a máfia das drogas.

O consultor em segurança Márcio Christino destaca a complexidade da facção. O PCC possui uma estrutura hierárquica definida, atuação transnacional e opera com uma logística e procedimentos que se assemelham aos de uma "empresa organizada".

O grupo impõe regras em comunidades, comanda esquemas bilionários de tráfico de drogas e atua em grande escala na lavagem de dinheiro, o que, segundo Christino, deve ser o foco principal do ataque policial.

A região da Amazônia se tornou o novo foco de confrontos entre as facções. A cocaína que chega do Peru e atravessa rotas como o Rio Solimões é extremamente valiosa, acelerando o processo para o tráfico internacional. O controle dessa área daria vantagem significativa na Região Norte do país, mas até o momento, a disputa pela supremacia na Amazônia segue intensa e indefinida.

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