Brasil Urgente

Europol revela esquema de troca de drogas entre Brasil e Europa

Investigação da agência europeia identifica intercâmbio de entorpecentes entre facções nacionais e organizações criminosas internacionais

MARK FIGUEREDO

23/01/2026 • 18:12 • Atualizado em 23/01/2026 • 18:12

Drogas encontrada em presídio no Paraguai

Drogas encontrada em presídio no Paraguai

Reprodução/Band

Uma investigação conduzida pela Europol, a agência policial da União Europeia, revela um esquema estruturado de intercâmbio de entorpecentes entre organizações criminosas brasileiras e europeias. De acordo com o relatório da agência, grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Primeiro Grupo Catarinense (PGC) enviam carregamentos de cocaína para o continente europeu e, em contrapartida, recebem drogas sintéticas, principalmente ecstasy, para distribuição no mercado brasileiro.

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A operação, considerada a maior do bloco europeu no combate ao tráfico de drogas sintéticas, resulta de uma investigação complexa iniciada há mais de um ano. O trabalho envolveu agentes de segurança de seis países e culminou na prisão de 20 suspeitos na Polônia e na Alemanha.

Entre os detidos, as autoridades identificaram dois líderes de uma organização criminosa especializada na importação de insumos químicos essenciais para a fabricação desses entorpecentes em laboratórios clandestinos.

Desarticulação de laboratórios e logística do tráfico

Durante a ação policial, 50 mandados de busca e apreensão foram cumpridos, resultando na desarticulação de quatro centros de distribuição de drogas na Europa. A investigação detalha que o esquema opera como um mercado de troca direta, onde a droga atua como a principal moeda entre as facções.

O levantamento da Europol indica que, em um período de três anos, as remessas de ecstasy enviadas da União Europeia para a América Latina somaram mais de uma tonelada. O Brasil é apontado como um dos destinos prioritários desse fluxo. A logística do crime utiliza diferentes frentes para a entrada dos materiais em território brasileiro, com destaque para o monitoramento rigoroso necessário em portos, aeroportos e na rede de serviços postais.

Fiscalização e rotas internacionais

A apuração indica que, em muitos casos registrados, a droga circula de forma fracionada através dos Correios e de terminais aeroportuários. O relatório também destaca que a coordenação da produção ocorre em laboratórios clandestinos de alta tecnologia na Europa, financiados pelo lucro obtido com a venda da cocaína enviada a partir de portos brasileiros.

A Europol mantém o intercâmbio de informações com as autoridades brasileiras para identificar os braços financeiros e logísticos dessas facções que operam nos dois lados do Atlântico. A investigação segue em curso para identificar outros integrantes do alto escalão das organizações envolvidas no esquema internacional.

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