
TH Joias
Julia Passos/Alerj
A Polícia Federal aponta que o ex-deputado estadual do Rio de Janeiro, Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, preso na semana passada, abastecia o Comando Vermelho com armas e equipamentos antidrones.
O objetivo, segundo as investigações, era neutralizar os drones usados pelas forças de segurança em operações nas comunidades cariocas.
Conversas e equipamentos apreendidos
As apurações revelam que TH Joias, o traficante Gabriel Dias de Oliveira, o Índio, chefe da comunidade do Lixão, e Luiz Eduardo Cunha, o Dudu, ex-assessor do ex-parlamentar, mantinham negociações com um fornecedor de armamentos sobre a compra e uso dos antidrones.
Esses equipamentos, de venda proibida no Brasil, eram apresentados em vídeos e fotos trocados pelos investigados.
Em mensagens interceptadas, TH Joias pergunta a Índio se ele já havia mostrado um drone derrubado em um condomínio como prova da eficácia do aparelho.
O traficante responde que mantém o equipamento consigo. Em outro trecho, o ex-deputado afirma que o valor mais baixo encontrado para o dispositivo é de R$ 750 mil.
Dudu, por sua vez, detalha que o custo de importação seria de R$ 260 mil, além de R$ 20 mil em despesas extras, e menciona ter prometido 15% de lucro a uma figura identificada apenas como “doutor”.
As mensagens também citam outras negociações, incluindo a venda de uma “bazuca” por R$ 300 mil a traficantes do Complexo do Alemão.
Segundo a Polícia Federal, desde o ano passado já foram localizados fuzis antidrones em favelas dominadas por facções. O material enviado por TH Joias aos comparsas seria idêntico ao apreendido em operações da Polícia Militar em outubro de 2023.
Estrutura criminosa e decisões da Justiça
O organograma apresentado pela Polícia Federal mostra que os equipamentos eram oferecidos a diferentes facções, incluindo o Comando Vermelho, o Terceiro Comando Puro e a Amigo dos Amigos. Além dos antidrones, os investigados também negociavam armas de grosso calibre, munições e drogas.
Na semana passada, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região manteve a prisão de TH Joias e de outros 14 suspeitos detidos na operação. O desembargador Macario Neto determinou ainda que alguns deles sejam transferidos para presídios federais, entre eles o ex-parlamentar e um delegado da PF acusado de vazar informações sigilosas ao tráfico.
Relações expostas em conversas
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a relação de TH Joias com o influenciador digital Hytalo Santos, que responde a acusações de exploração sexual e econômica de menores.
Em um vídeo gravado em um baile no Morro do Alemão, o ex-deputado aparece ao lado de Índio e de Hytalo. O influenciador, no entanto, não é investigado neste inquérito específico.
Segundo o secretário de Segurança Pública do Rio, Vitor Santos, o foco da estratégia das autoridades será atacar o fluxo financeiro das facções criminosas, com o objetivo de reduzir a capacidade de atuação desses grupos.
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