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Ex-goleiro paraguaio é alvo de operação contra o tráfico de drogas

Investigações da Polícia Nacional do Paraguai apontam que organização liderada por Sebastián Marset utilizava clubes de futebol para lavagem de dinheiro

Felipe Garraffa
FELIPE GARRAFFA

19/02/2026 • 22:37 • Atualizado em 19/02/2026 • 22:37

A Polícia Nacional do Paraguai realiza uma operação para desarticular uma organização criminosa de tráfico internacional de drogas que utiliza a estrutura de clubes de futebol para a lavagem de dinheiro. Entre os principais alvos da investigação está o ex-goleiro Víctor Hugo Centurión, que atuou por anos no Olimpia e disputou a Taça Libertadores da América.

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Segundo o Ministério Público, o ex-atleta era responsável por coordenar o recebimento de entorpecentes que chegavam ao país por via aérea e realizar a distribuição subsequente.

O cerco contra os operadores do esquema faz parte de uma investigação mais ampla sobre Sebastián Marset, considerado pela Interpol um dos maiores traficantes da América do Sul. Marset, que permanece foragido, é apontado como o líder da rede que integra o esporte ao crime organizado. As autoridades paraguaias indicam que a estrutura de times de futebol era peça-chave para ocultar a origem ilícita dos recursos provenientes do narcotráfico.

Interceptações e prisões no setor esportivo

A investigação fundamenta-se em áudios interceptados que revelam a comunicação entre traficantes e fornecedores na região de fronteira. Em um dos registros, Alexis Vidal González Zárate, conhecido como "Pelado" — que já se encontra detido —, conversa com seu braço-direito, Dionizio Manuel Cáceres Cabrera, o "Manu", sobre a aquisição de cocaína. Nas gravações, "Manu" solicita autorização ao chefe para incluir Víctor Centurión nas negociações.

Na conversa, "Pelado" concorda com a participação do ex-goleiro, ressaltando que Centurión goza de respeito por sua trajetória no futebol profissional, especialmente por ter sido finalista da Libertadores pelo Olimpia. Atualmente, tanto Víctor Centurión quanto "Manu" possuem mandados de prisão preventiva decretados e são considerados foragidos. Durante a operação, familiares de "Manu", incluindo seu irmão e sua esposa, foram presos.

Além do campo, o esquema também alcançou o futsal. Luis Miguel Molina Brítez, conhecido como "Chon", ex-jogador do Cerro Porteño e da seleção paraguaia de futsal, foi preso por suspeita de envolvimento com o grupo. A polícia trabalha com a tese de que todos os atletas e ex-atletas identificados colaboravam diretamente com a logística ou com a ocultação financeira do tráfico internacional.

Ameaças e a conexão com o PCC

Sebastián Marset mantém um perfil de alta periculosidade e recentemente gravou um vídeo ao lado de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Nas imagens, o traficante uruguaio envia ameaças a Erland Garcia, conhecido como "El Colla", ex-colaborador que estaria fornecendo informações às autoridades sobre sua localização. Garcia estaria em processo de negociação de uma delação premiada na Bolívia.

Como forma de intimidação, familiares de Garcia foram sequestrados em um condomínio de luxo na Bolívia, ação que a vítima atribui diretamente a Marset. No vídeo, o líder da organização afirma não possuir endereço fixo, circulando entre Bolívia, Paraguai e Colômbia, e declara que a facção brasileira está preparada para um confronto armado visando sua proteção.

Marset viveu em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, a partir de 2022, onde chegou a comprar um time da segunda divisão. Ele atuava como atacante na equipe, utilizando a agremiação como disfarce e ferramenta de lavagem de dinheiro para o tráfico de cocaína. O Departamento Antidrogas dos Estados Unidos (DEA) oferece uma recompensa superior a R$ 10 milhões por informações que levem à sua captura.