Brasil Urgente

Experiência brasileira no combate ao crime organizado impressiona policiais europeus

A cooperação, parte de uma iniciativa que levou a polícia paulista para treinar na França, destacou as diferenças de realidade e táticas entre os países

Da redação
DA REDAÇÃO

10/11/2025 • 18:16 • Atualizado em 10/11/2025 • 18:16

Fábio Bopp, chefe do Grupo Especial de Reação (GER) da Polícia Civil de São Paulo, revelou em entrevista que a experiência prática das forças brasileiras no combate ao crime organizado foi o que mais impressionou policiais na Europa durante um intercâmbio de treinamento. A cooperação, parte de uma iniciativa que levou a polícia paulista para treinar na França, destacou as diferenças de realidade e táticas entre os países.

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Segundo Bopp, o que "encantou" os policiais franceses foi a vasta experiência de sua equipe em confrontos diretos com o crime. Ele relatou que os europeus ficaram "assustados" com o número de policiais mortos em serviço no Brasil, uma situação que consideram "incabível" em sua realidade.

Embora as forças policiais europeias estejam altamente focadas em ameaças de terrorismo, Bopp observou que uma "criminalidade mais pesada" está começando a se instalar na região, tornando a expertise brasileira cada vez mais relevante.

A troca de conhecimentos foi tão produtiva que o intercâmbio deve continuar, mas desta vez no Brasil. "No começo do ano, eles pretendem mandar uma equipe da Bélgica, de um grupo especial que nós tivemos lá, e de um grupo especial da França também", afirmou o chefe do GER, indicando que os europeus virão ao país para aprofundar o treinamento.

Bopp descreveu os policiais europeus como muito bem preparados e equipados, mas "um pouco inocentes com relação à criminalidade". Ele citou como exemplo as táticas de abordagem: alguns métodos utilizados por eles não funcionariam no Brasil devido à natureza mais violenta do crime local. A equipe brasileira, segundo ele, foi autorizada a criticar e sugerir adaptações nas técnicas europeias.

Um exemplo marcante da diferença de realidades é que, na França, um policial pode ir para casa com a viatura, mas não pode levar sua arma. Mesmo desarmado, ele tem a obrigação de agir caso presencie um crime, uma regra que, na visão de Bopp, ilustra a "inocência" daquele cenário em comparação com os perigos enfrentados diariamente pelos policiais no Brasil.