
Polícia Civil do Rio de Janeiro
Divulgação/PCERJ
A Polícia Civil deflagrou, nesta terça-feira, a Operação Cura Ficta, que resultou na prisão preventiva de sete integrantes de uma organização criminosa especializada no "Golpe do Falso Médico". O grupo é suspeito de extorquir familiares de pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) em hospitais do Rio Grande do Sul e de outros estados.
Os mandados de prisão foram cumpridos em quatro estados: Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Goiás e Rio de Janeiro. Entre os detidos estão operadores, telefonistas e "laranjas" envolvidos no esquema.
A quadrilha atuava explorando o momento delicado de familiares com parentes em estado grave. Segundo a investigação, os suspeitos se passavam por médicos e tinham acesso a um banco de dados de planos de saúde. Um delegado explica que eles possuíam "informações em tempo real de pessoas hospitalizadas em estado grave hospitalizadas em UTI".
Com esses dados, os golpistas faziam contato com os aparelhos de celular dos familiares das pessoas internadas. Durante as ligações, o falso médico insistia na necessidade de exames e procedimentos urgentes, que precisariam ser pagos de forma particular para serem realizados no mesmo dia, com promessa de reembolso integral. Em uma das conversas interceptadas, um golpista cobra R$ 3,8 mil por um procedimento. Em outro caso, a cobrança por exames como hemograma chega a quase R$ 9 mil.
Chefe do esquema e lavagem de dinheiro
As autoridades apontam que o chefe do esquema está atualmente preso no Mato Grosso. Ele é identificado como integrante da facção criminosa Comando Vermelho e é acusado de organizar uma complexa rede de lavagem de dinheiro com os valores obtidos no golpe.
O suspeito possui mais de 120 chaves PIX cadastradas em seu nome, utilizadas para tentar ocultar o dinheiro roubado. Um delegado ressalta que organizações criminosas têm adotado a prática de delitos em ambiente virtual para capitalizar e buscar recursos para financiar a atuação desses grupos. Segundo a autoridade, os crimes virtuais têm sido uma "vertente de arrecadação de valores para a prática de outros delitos".
Para lavar o dinheiro, os criminosos realizam centenas de transferências PIX, de contas localizadas no Mato Grosso até Guaratiba, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. A polícia conseguiu identificar dois operadores do esquema nesta última localidade.
A Operação Cura Ficta busca agora identificar outros criminosos envolvidos e apurar como a quadrilha conseguia ter acesso aos dados sigilosos dos pacientes e seus familiares.
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