
Amanda Gaspar foi assassinada e concretada pelo marido
Reprodução/Brasil Urgente
Após quase um ano de silêncio, a família de Amanda Gaspar, de 43 anos, decidiu falar pela primeira vez. Um comovente relato de quem conviveu de perto com os dramas causados pela violência doméstica. A comerciante foi assassinada e enterrada dentro de casa, na comunidade de Paraisópolis, Zona Sul de São Paulo. O principal suspeito do crime? O marido.
O crime aconteceu em fevereiro do ano passado. Segundo a perícia, o corpo foi encontrado três dias após a morte da vítima. Estava enrolado por diversos sacos plásticos e coberto por cloro e água. Para não levantar suspeitas, o homem de 43 anos ainda concretou a companheira dentro de uma caixa no quintal da residência.
À época, o caso chocou vizinhos, desconfiados da ausência repentina da mulher. A polícia foi acionada. Foi aí que o feminicídio foi descoberto. O companheiro não foi localizado, mas se apresentou à polícia, dias depois. Alegou ter ocultado o cadáver por medo de ser julgado pelo “tribunal do crime” da comunidade. A defesa do acusado já alegava que não houve intenção de matar.
“Ela tentou sair [do relacionamento]. Ela chegou a sair da casa dela com a roupa do corpo, descalça. [Ela não conseguia sair desse ciclo de violência] porque toda vez ele prometia que não ia fazer mais, e ela acreditava”, desabafou uma irmã da vítima, Monalisa, em entrevista ao Brasil Urgente.
Amanda e o esposo viveram juntos por 13 anos, um relacionamento marcado por brigas, agressões e inúmeras separações. Segundo a irmã, todas às vezes em que o cunhado chegava drogado a casa, a esposa era torturada e apanhava por horas. Em algumas ocasiões, ela conseguia fugir e pedia ajuda à Monalisa.
Quando tomava coragem para abandonar o ciclo de violência em que vivia, Amanda registrava boletim de ocorrência. Foram diversos, mas a moça nunca deu andamento às denúncias, por medo.
Segundo a família, a primeira audiência do caso foi on-line e o assassino riu diversas vezes durante a sessão. O julgamento dele vai acontecer no dia 15 de abril. O homem será levado a júri popular. Parentes da vítima esperam por uma pena à altura do crime que cometeu.
Segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública do Ministério da Justiça, em 2024, ao menos 1.387 mulheres morreram vítimas de feminicídio no Brasil. São Paulo está no topo do ranking, seguido por Minas Gerais e Bahia.
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