Brasil Urgente

Investigação aponta elo entre vereador preso e frota de ônibus do PCC

Polícia Civil investiga desvio de dinheiro, uso de testa de ferro e participação de parlamentar no assassinato de empresário de transporte

LUCAS MARTINS

26/06/2026 • 01:41 • Atualizado em 26/06/2026 • 01:41

A Polícia Civil de São Paulo investiga o vereador Senival Moura por suspeita de desvio de dinheiro, uso de testa de ferro e participação no assassinato do empresário Adauto Soares Jorge. O caso envolve o controle de uma cooperativa de transporte público com indícios de infiltração da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). As informações constam em investigações conduzidas pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC).

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De acordo com os investigadores, Adauto Soares Jorge e Senival Moura mantinham uma relação de proximidade há 30 anos. Na década de 80, ambos começaram a atuar juntos como donos de frotas de lotações clandestinas na capital paulista. Com a regularização do transporte alternativo, Adauto Soares Jorge tornou-se empresário no setor de cooperativas, enquanto Senival Moura ingressou na carreira política e elegeu-se vereador.

Apurações do DEIC apontam que o empresário assassinado funcionava como testa de ferro do vereador Senival Moura na cooperativa Transunião. O contrato firmado pela empresa com a Prefeitura de São Paulo prevê o recebimento de 100 milhões de reais por ano. Além desse montante oficial, a cooperativa também fatura com o transporte diário de passageiros na cidade.

Desvio de verbas e execução de empresário

A Polícia Civil aponta que parte dos valores recebidos pela cooperativa Transunião deveria ser repassada para integrantes do PCC. Logo após o assassinato de Adauto Soares Jorge, o vereador Senival Moura solicitou reforço em sua proteção policial pessoal. O parlamentar alegou à época que estava jurado de morte pela facção criminosa e que sua cabeça estaria a prêmio, obtendo escolta de policiais militares designados pela presidência da Câmara Municipal.

A linha de investigação da Polícia Civil, no entanto, contesta a versão do parlamentar e indica que o vereador teve participação direta no assassinato do antigo aliado. Diante das suspeitas, os agentes realizaram mandados de busca e apreensão na residência de Senival Moura e em seu escritório político. Os investigadores também solicitaram a prisão temporária do vereador e buscas em seu gabinete na Câmara Municipal, mas os pedidos foram negados pela Justiça.

As autoridades policiais efetuaram a prisão de Devanil Nascimento, apontado como o responsável por atrair o empresário Adauto Soares Jorge para a emboscada que resultou em sua morte. Devanil Nascimento trabalha formalmente como motorista do vereador Senival Moura. A defesa do parlamentar nega as acusações e o caso segue sob segredo de Justiça enquanto as investigações buscam mapear o esquema de lavagem de dinheiro no transporte municipal.

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