
Maconha da Copa: Facções usam símbolos de seleções para vender drogas
Band TV
Facções criminosas estão utilizando redes sociais para profissionalizar a comercialização de entorpecentes, adotando estratégias de marketing agressivas inspiradas na Copa do Mundo e em promoções do varejo. Os grupos criminosos divulgam maconha e cocaína com embalagens personalizadas que exibem bandeiras de seleções que disputam o torneio, além de utilizarem selos que imitam emblemas oficiais da FIFA e lacres de segurança.
A disputa por clientes entre facções rivais ocorre de forma aberta na internet, onde os perfis criminosos funcionam como verdadeiras lojas virtuais. Em postagens monitoradas pela polícia, os grupos anunciam a chegada de novas remessas de drogas, oferecem descontos de 5% para pagamentos via Pix e fornecem instruções detalhadas sobre como acessar os pontos de venda, incentivando o uso de serviços como Uber, 99, motos ou veículos particulares.
Estratégias de marketing do crime
A organização das vendas online inclui promoções semanais para atrair usuários. Em um dos vídeos analisados, um traficante oferece um grama de "ice" — uma variedade de maconha mais concentrada e cara — como brinde para os vinte primeiros clientes do dia. Os anúncios detalham até os valores para revenda, com preços tabelados para compras em maior quantidade, como pacotes de 100 gramas de entorpecentes sendo comercializados por R$ 2.700.
O que mais tem chamado a atenção dos investigadores é a audácia dos criminosos ao publicar endereços completos dos pontos de venda. Facções como o Comando Vermelho (CV) e o Terceiro Comando Puro (TCP), historicamente rivais no Rio de Janeiro, utilizam as plataformas digitais para expor as localizações onde as drogas estão armazenadas e sendo comercializadas, inclusive em áreas de comunidade.
Expansão do delivery de entorpecentes
O modelo de negócio ilícito não se restringe apenas ao Rio de Janeiro. Em postagens que circulam em diferentes plataformas, os responsáveis pelos pontos de venda garantem a logística de entrega das substâncias para todo o território nacional. A estrutura de divulgação envolve vídeos que mostram criminosos manuseando e pesando os produtos, reforçando a organização e a segmentação do tráfico que agora opera sob uma lógica de mercado, com catálogos de produtos especiais e garantia de entrega rápida para consumidores em diversas regiões do país.
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