
Gabrielle chegou à Delegacia de Homicídios da Capital acompanhada de advogados
Felipe Lima
Gabrielle Cristine Pinheiro Rosário, acusada de ser a mandante do assassinato de Laís Pereira com o objetivo de obter a guarda definitiva da filha da vítima, foi transferida para o presídio de Benfica, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A acusada havia se entregado à Delegacia de Homicídios (DH) no final da tarde da última segunda-feira, após estar foragida por mais de 10 dias.
Ao se entregar e durante sua transferência, Gabrielle não demonstrou arrependimento e preferiu permanecer em silêncio no DH. O delegado responsável pela investigação afirmou que o comportamento da presa indica características de uma psicopata, destacando a sua aparente capacidade de manipulação, controle emocional e falta de abalo.
Provas em celular e confissões dos executores
A investigação da Polícia Civil do Rio interceptou mensagens de texto de Gabrielle que, segundo as autoridades, confirmam sua intenção de cometer o crime cerca de um mês antes da execução. Em uma das conversas com o seu então namorado, que é ex-parceiro de Laís e pai da criança, Gabrielle escreveu: "Te falar: queria matar demais a Laís. Deus me livre". Para a polícia, a prova reforça a motivação de matar Laís para ficar com a criança.
Em outra conversa, Gabrielle ainda revelou que a criança "tomou muito tapa meu", "agora de manhã", em resposta a uma pergunta do pai sobre o motivo da agressão. Trocas de mensagens entre Laís e o ex-namorado, nas quais discutiam a educação da filha, também foram interceptadas e indicam que a guarda da criança era uma obsessão de Gabrielle.
A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio não têm dúvidas sobre a autoria da mentoria do crime por parte de Gabrielle. Outras três pessoas foram presas e confessaram participação na execução do assassinato.
O delegado afirmou que a prova está "bem provada, está bem robusta" e que será solicitada a prisão preventiva da mandante.
Execução e prisão dos envolvidos
Ingrid Luiza da Silva Marques foi presa na semana passada e é apontada pela Delegacia de Homicídios da Capital como a mulher que fez a ponte entre Gabrielle e os assassinos.
Laís Pereira foi morta no último dia 4 de novembro, enquanto levava seu filho de 2 anos para a escola em Sepetiba, Zona Oeste do Rio. Imagens de segurança flagraram a vítima pela última vez às 11h18 da manhã. Laís não resistiu aos ferimentos e morreu no local, ao lado do carrinho de bebê.
Erick Santos e Davi de Souza confessaram a execução do crime. A polícia chegou a Davi após a própria mãe dele, Kelly Silva de Souza, reconhecer o filho em imagens e fazer uma denúncia. Kelly relatou ter visto que as imagens eram do filho, mesmo que ele tivesse tentado tampar suas tatuagens, e o reconheceu pelo seu modo de andar e sentado na moto.
A mãe de Davi pediu desculpas à família da vítima, afirmando que não criou um "bandido" e que seu filho "não era assim".
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