A dinâmica do tráfico de drogas na capital paulista passa por uma transformação estratégica que desafia as autoridades. Após a dispersão do fluxo principal que ocupava a região dos Campos Elíseos e Santa Efigênia, "mini cracolândias" começaram a se espalhar por diversos pontos do Centro e da Zona Leste de São Paulo, consolidando pequenos focos de aglomeração e consumo de crack ao ar livre.
Diferente do modelo anterior de uma única grande concentração, o crime organizado --com destaque para a atuação do PCC-- tem fomentado essas pequenas reuniões de pessoas em situação de rua e dependentes químicos. Segundo apuração do Brasil Urgente, essa tática facilita o comércio, pois o consumo ocorre no mesmo local da venda, e cria uma barreira tática para as forças de segurança.
Essas aglomerações funcionam como um "muro imaginário": quando dezenas de pessoas se reúnem em pontos específicos, como o Glicério ou as proximidades do viaduto Alcântara Machado, no Brás, a polícia encontra maior dificuldade para realizar intervenções diretas e flagrar atividades criminosas à distância.
Alerta ao poder público
Especialistas alertam que o poder público precisa atuar com urgência enquanto o problema ainda é "controlável". Caso contrário, a fragmentação do tráfico e a proteção oferecida pelas aglomerações podem transformar essas novas zonas de consumo em focos de criminalidade tão complexos quanto a antiga cracolândia.
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