
Morto em confronto, 'Tubarão' do PCC era o contador da facção criminosa
Reprodução/Brasil Urgente
Robson Sampaio de Lima, conhecido nos círculos criminais como Tubarão, foi morto em um confronto com policiais militares do Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) na Zona Leste de São Paulo. O incidente ocorreu no interior da residência de Tubarão, localizada no bairro de São Miguel Paulista, após o foragido da Justiça resistir a uma ordem de prisão.
Segundo informações da Polícia Militar (PM), o homem estava armado no momento da abordagem. No imóvel, os agentes do Baep apreenderam uma pistola, uma espingarda calibre 12 e munições.
Tubarão era um procurado da Justiça e integrante de uma facção criminosa paulista. Ele desempenhava um papel de alta relevância, sendo considerado uma espécie de contador ou responsável pelo setor financeiro da organização. Sua experiência no crime organizado e sua atuação na movimentação de dinheiro deram origem à Operação Sharks, deflagrada pelo Ministério Público (MP) em 2018.
Operação Sharks e Movimentação Bilionária
A Operação Sharks do Ministério Público revelou um esquema financeiro bilionário da facção, movimentado, principalmente, através da compra e venda de entorpecentes em todo o território nacional. A investigação descobriu que Robson Sampaio de Lima era o responsável pelo setor financeiro da organização criminosa.
Na ocasião da sua prisão anterior, o celular de Tubarão foi apreendido, o que permitiu a quebra do sigilo e a identificação de um esquema de milhões de reais em lavagem de dinheiro, sobretudo por meio da aquisição de imóveis.
A quebra do sigilo telefônico revelou uma intensa troca de mensagens por meio de aplicativos entre os responsáveis pelas finanças do grupo, incluindo Tubarão. Nas conversas, o homem morto em São Miguel Paulista dava ordens para a troca de linhas de celular aos responsáveis pela recolha do dinheiro do tráfico nos pontos de venda, visando dificultar o trabalho de investigação das autoridades policiais.
Em outro trecho das mensagens interceptadas, Robson Sampaio de Lima detalha a logística financeira e operacional do tráfico. Ele faz referência ao aluguel de imóveis para esconder drogas e dinheiro, as chamadas "casas cofres", além da compra de veículos para o transporte de entorpecentes usados para abastecer as "biqueiras". O esquema incluía a aquisição de aparelhos celulares para a comunicação entre os gerentes dos pontos de venda, a remessa de dinheiro para doleiros para transformar moeda estrangeira em mais drogas e armas, e o pagamento das despesas do tráfico, que abrangiam frete, hospedagem e alimentação para quem trazia a maconha e a cocaína para os grandes centros.
Durante a Operação Sharks, promotores de Justiça apreenderam com Tubarão planilhas detalhadas com as receitas e despesas do PCC com o tráfico de drogas.
Ligação com Tuta e Condenações Anteriores
A investigação da Operação Sharks também identificou a ligação de Robson Tubarão com Marcos Roberto de Almeida, o Tuta, que foi preso na Bolívia. Tuta chegou a ser considerado pelas autoridades como um líder da facção nas ruas, devido à sua estreita conexão com Marcos Herbas Camacho, o Marcola, considerado o número um da facção e que cumpre pena em um presídio federal. O nome de Tuta foi identificado durante a Operação Sharks em 2018.
Tuta estava foragido e viveu por anos escondido na Bolívia, com a organização criminosa chegando a inventar que ele teria sido executado para despistar as autoridades. Contudo, as investigações apontaram para sua atuação em Santa Cruz de La Sierra, berço do PCC no país vizinho e produtor de cocaína. De lá, ele cuidava da compra e logística de toda a droga que vinha para o território nacional e, em seguida, era enviada à Europa.
Robson Sampaio de Lima, o Tubarão, havia sido condenado a dezesseis anos de prisão pelos crimes de associação criminosa e lavagem de dinheiro, as mesmas acusações que levaram à condenação de Tuta a 12 anos. Tubarão é apontado como responsável por movimentar até R$ 1 bilhão para a organização criminosa.
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