Uma megaoperação policial intitulada "Rainha do Sul", mirou a facção criminosa baiana "Bonde do Maluco" e resultou na prisão de diversas pessoas, incluindo uma advogada apontada como peça-chave no esquema. A ação cumpriu mandados de prisão e busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro, Paraná, São Paulo e Pernambuco.
A "Sereia do Crime"
O principal alvo da operação na Bahia foi a advogada Poliane Gomes, apelidada de "Sereia do Crime". Segundo as investigações, Poliane atuava inicialmente como defensora de Leandro Fonseca, um dos líderes da facção. A relação profissional evoluiu para um relacionamento amoroso e, após a prisão do companheiro, a advogada passou a articular os crimes fora da cadeia.
A "Sereia do Crime" era responsável por levar os "salves" (ordens das lideranças) para os gerentes da facção em Salvador e na região metropolitana, além de controlar o fluxo de drogas, armas e a comunicação entre células criminosas em cinco estados. Na casa dela, a polícia apreendeu cartas, documentos escritos, computadores, celulares, uma máquina de contar dinheiro e quase R$ 200 mil em espécie.
A polícia destacou a vida de ostentação levada pela suspeita, com eletrodomésticos de alto valor, como uma televisão e uma geladeira.
Apreensões milionárias e lavagem de dinheiro
A operação resultou no bloqueio de R$ 100 milhões nas contas bancárias dos investigados. Além do dinheiro, foram apreendidos:
- Joias avaliadas em mais de R$ 1 milhão;
- Carros de luxo;
- Cavalos de raça;
- Moto aquática;
- Uma usina de energia solar.
Segundo a polícia, esses bens, incluindo um haras, eram utilizados para lavar o dinheiro oriundo do tráfico de drogas.
Prisões e Perfil dos Criminosos
Além de Poliane, outras cinco mulheres e sete homens, todos subordinados à advogada, foram presos. Um dos momentos de tensão da operação foi a prisão de um integrante do "Bonde do Maluco", encontrado na cama com a mulher e a filha pequena.
A reportagem destacou um padrão crescente no mundo do crime: mulheres que se envolvem amorosamente com chefões do tráfico e acabam assumindo funções de liderança nas organizações criminosas após a prisão de seus companheiros.
Outros casos semelhantes foram citados, como:
- Jade Calau: Presa transportando cocaína entre a Bolívia e a Argentina.
- Alondra Mercado: Presa por tráfico de armas.
- Maria Dela Cruz ("Novinha do Crime"): Apontada como uma das maiores distribuidoras de cocaína do Peru.
- "Bebesita" e uma influenciadora brasileira: Ambas presas por envolvimento com o tráfico e conhecidas por ostentarem nas redes sociais.
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