
Operação prende ex-chefe de gabinete por esquema com facção em Manaus
PC-AM
A Polícia Civil do Amazonas deflagrou, nesta sexta-feira (20), a Operação Erga Omnes para desarticular um núcleo criminoso suspeito de integrar a facção Comando Vermelho. De acordo com as investigações, o grupo utilizava empresas de fachada e recebia informações sigilosas de agentes públicos para viabilizar o transporte de entorpecentes vindos da Colômbia. O esquema, que operava desde 2018, movimentou cerca de R$ 70 milhões em sete anos, mantendo uma média anual de R$ 9 milhões em transações ilícitas.
Ao todo, 14 pessoas foram presas durante a ação, sendo oito delas em Manaus. Entre os detidos estão Ana Bela Cardoso de Freitas, ex-chefe de gabinete da Prefeitura de Manaus, além de um servidor público, uma policial civil e um militar. A investigação detalha que o grupo contava com apoio estratégico infiltrado em estruturas dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário para garantir a logística e a segurança das operações do tráfico.
Atuação interestadual e prisões
A ofensiva policial não se limitou à capital amazonense e cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão em diversas cidades brasileiras. Além de Manaus, houve registros de atividades em Belém (PA), Ananindeua (PA), Belo Horizonte (MG), Fortaleza (CE), Estreito (MA) e Teresina (PI). Na capital piauiense, as autoridades prenderam Lucila Meireles Costa, de 42 anos, que se passava por advogada para auxiliar a organização.
Segundo o repórter Adriano Fernandes, que acompanha o caso no centro de Manaus, o material apreendido — que inclui computadores, celulares e documentos — passa por análise pericial. O objetivo das autoridades é aprofundar as investigações para identificar outros envolvidos e rastrear o caminho do dinheiro lavado pelo grupo. Além das prisões e apreensões de dispositivos, cinco veículos foram recolhidos pelos agentes.
Estrutura logística e foragidos
O núcleo do esquema funcionava por meio de uma empresa de logística de fachada, responsável pela compra e pelo transporte das drogas para outros estados brasileiros. A Polícia Civil destaca que a influência política do grupo era um dos pilares para a manutenção da atividade criminosa por quase uma década.
Apesar do balanço de prisões, 11 pessoas ainda são consideradas foragidas, incluindo o apontado como chefe da quadrilha. Os detidos na operação devem responder por crimes de organização criminosa, tráfico de drogas, associação para o tráfico, corrupção passiva, violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
Fique bem informado!
Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail
Escolha quais newsletters quer receber
