Brasil Urgente

PCC cria célula nos Estados Unidos para tráfico de drogas e envio de armas

MPSP atualiza organograma da facção, que reúne 40 mil membros e atua no mercado formal

LUCAS MARTINS

10/08/2026 • 19:03 • Atualizado em 10/08/2026 • 19:18

O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) atualizou o organograma do Primeiro Comando da Capital (PCC) e identificou a criação de uma célula exclusiva da organização criminosa nos Estados Unidos. O grupo utiliza o território norte-americano para o tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e envio de fuzis ao Brasil via Paraguai. A facção, nascida nos presídios paulistas, opera atualmente como uma máfia internacional em 28 países, com mais de 40 mil integrantes.

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A estrutura do grupo tem como líder máximo Marcos Willian Herbas Camacho, o Marcola. Abaixo da cúpula, batizada de Sintonia Final Geral, a organização se divide em setores específicos para gerenciar atividades que vão desde o controle do trânsito de entorpecentes em unidades prisionais até a execução de ataques contra autoridades por meio do braço conhecido como Sintonia Restrita.

A expansão no setor produtivo legal também faz parte das operações financeiras do grupo. A facção realiza lavagem de capitais no setor de combustíveis, no transporte público e mediante infiltração em prefeituras e Câmaras de Vereadores.

Atuação internacional e conexões globais

O avanço na América do Norte ocorre pela Sintonia dos Países, setor responsável por conectar a facção a organizações criminosas globais. Para atuar nos Estados Unidos, o grupo firma alianças com cartéis colombianos e mexicanos. Do outro lado do Atlântico, a organização mantém parcerias consolidadas com a 'Ndrangheta, na Itália, e com a máfia dos Bálcãs, na Sérvia.

Estimativas apontam que cerca de 90% da cocaína que ingressa na Europa por via marítima possui ligação direta com a facção paulista. O transporte da droga envolve operadores brasileiros e estrangeiros que atuam sob a gestão direta do grupo criminoso.

Em maio, o governo dos Estados Unidos passou a classificar a facção paulista e o Comando Vermelho como organizações terroristas, medida que ampliou o mecanismo de combate ao fluxo de lavagem de dinheiro no país. Apesar da descentralização operacional da rede, as ordens estratégicas continuam partindo dos estabelecimentos prisionais onde se encontram os integrantes da cúpula. Os órgãos de fiscalização e o Ministério Público acompanham a consolidação desta rota internacional.