Brasil Urgente

Aquamans do crime: Polícia Federal apreende 100 kg de cocaína em navio

Carga tinha como destino o Oriente Médio, segundo investigação

LUCAS MARTINS

26/09/2025 • 17:32 • Atualizado em 26/09/2025 • 17:32

A Polícia Federal apreendeu quase 100 quilos de cocaína em um navio de transporte de gado que passava pelo porto de Barcarena, no Pará. A droga estava acondicionada em duas bolsas impermeáveis escondidas no compartimento de captação de água usado para o resfriamento dos motores da embarcação, área abaixo da linha da maré. A informação é de Lucas Martins.

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A operação ocorreu na margem direita do rio Pará, região considerada estratégica por conectar a produção agrícola e extrativista da Amazônia a rotas de exportação. Segundo os agentes, o carregamento tinha como destino o Oriente Médio, onde o quilo da cocaína pode alcançar o valor de até 100 mil dólares em países que preveem pena de morte para o tráfico.

Rota amazônica ganha espaço no tráfico internacional

Tradicionalmente, os portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR) concentram a maior parte das apreensões de cocaína, com estimativas de até mil toneladas por ano escondidas em contêineres. Com o reforço das fiscalizações nessas áreas, organizações criminosas têm diversificado as rotas e expandido a atuação na Amazônia, aproveitando a extensa rede de rios que conecta o Brasil a países produtores como Colômbia e Peru.

A técnica de esconder drogas em compartimentos externos do casco dos navios, abaixo da linha da água, foi desenvolvida no porto de Santos. Os mergulhadores contratados pelas facções, conhecidos como “aquaman”, recebem até R$ 200 mil por operação para instalar ou retirar os carregamentos.

Um dos principais nomes ligados a essa prática é um traficante identificado como Keko, apontado como responsável por transportar mergulhadores até embarcações que aguardam autorização para atracar entre Santos e Guarujá. Ele é procurado há pelo menos seis anos e continua foragido.

Histórico de operações

A Polícia Federal já registrou a mesma modalidade criminosa em portos do Paraná, do Espírito Santo e do Rio de Janeiro. No litoral paulista, investigações revelaram ainda o uso da chamada “ilha da cocaína”, um ponto de apoio no Guarujá onde carregamentos aguardavam a transferência para navios com destino internacional.

As investigações sobre a carga apreendida em Barcarena continuam. Até agora, não houve prisão de envolvidos diretamente na operação do navio.

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