A Polícia identificou o homem que atirou contra o tenente Ronickson Pimentel dos Santos, alvo de uma emboscada em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, no último sábado (27). A informação foi confirmada pelo secretário de Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves. O oficial está internado em estado grave.
O atentado contra o tenente, integrante das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), ocorreu na manhã de sábado, quando ele foi baleado na cabeça ao parar em um semáforo na Avenida Goiás. O caso é tratado como tentativa de homicídio.
A identificação do atirador é o mais recente avanço de uma investigação que, segundo a apuração da polícia, revelou uma ação coordenada, com suporte logístico e o uso de pelo menos quatro veículos. De acordo com o trabalho de inteligência, um Logan branco transportou o atirador, enquanto um Astra e um Palio davam cobertura à motocicleta usada no ataque. Inicialmente, as informações apontavam apenas para a participação de uma moto e do carro Logan.
O rastreamento foi possível graças às câmeras inteligentes integradas pelos sistemas Smart Sanca, de São Caetano do Sul, e Smart Sampa, da capital paulista, que permitiram acompanhar o trajeto dos criminosos em tempo real e identificar os veículos envolvidos. A polícia também aguarda o resultado de exame de DNA feito em um capacete e em uma luva abandonados por um dos suspeitos.
A reconstituição do crime indica que a emboscada foi planejada. O tenente chegou a uma academia por volta das 10h30 para treinar, e um criminoso já o esperava a pé, na espreita. A polícia acredita que, assim que o militar entrou no local, um olheiro avisou o comparsa que armaria a emboscada.
Um dos envolvidos teria saído sozinho da comunidade de Heliópolis e entrado em São Caetano do Sul às 11h08, indo ao encontro do outro homem que vigiava a academia. Pimentel foi seguido por pouco menos de 500 metros após deixar o local até ser atacado.
A motocicleta usada no crime havia sido roubada na Zona Sul de São Paulo em 1º de maio e estava com placa falsa. O veículo foi posteriormente encontrado pela PM na entrada da mesma comunidade, a quase seis quilômetros do local do atentado.
No domingo (28), a Justiça decretou a prisão de dois homens, de 40 e 52 anos, localizados em Guaianases, na Zona Leste da capital. Eles são suspeitos de prestar apoio logístico, ocupando os carros que davam cobertura aos executores, e teriam monitorado o oficial, repassando informações aos atiradores.
Um terceiro homem chegou a ser detido, mas foi liberado por falta de indícios de participação. A Polícia Civil e o grupo PM Vítima, ligado à Corregedoria, seguem em diligências para localizar os demais envolvidos.
Sobre o estado de saúde do tenente, a equipe médica do Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, avalia a possibilidade de reduzir o nível de sedação do oficial, que passou por cirurgia neurológica de emergência após ser baleado.
Em nota divulgada nesta terça-feira (30), a Rota informou que Pimentel permanece na UTI, com quadro clínico estável e sem alterações significativas em relação à avaliação anterior. "A equipe médica segue acompanhando o caso de forma contínua, com reavaliação diária das condutas em conjunto com a Neurocirurgia", afirmou a corporação.
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