
Comando Vermelho
Reprodução/Band
A Polícia Civil indiciou 11 suspeitos de integrar a liderança da facção criminosa Comando Vermelho pelas mortes de cinco policiais durante uma megaoperação realizada em outubro do ano passado nos Complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A conclusão da investigação, conduzida pela Delegacia de Homicídios da Capital, aponta que os homens coordenaram uma emboscada planejada contra as equipes de segurança que atuavam nas comunidades.
Entre os indiciados estão Edgar Alves de Andrade, conhecido como "Doca", Carlos da Costa Neves, o "Gardenal", e Pedro Paulo Guedes, apontado como "Pedro Bala". O relatório final do inquérito detalha as ações da organização criminosa e já se encontra sob análise do Poder Judiciário.
Bunkers na mata e simulação de rendição
As investigações revelam que os suspeitos utilizaram posições estratégicas na região de mata conhecida como Vacaria para monitorar o deslocamento dos agentes. De dentro de bunkers improvisados na vegetação, o grupo utilizou armamento pesado de longo alcance para efetuar disparos contra as forças policiais.
O relatório aponta que a organização criminosa estruturou um cerco tático contra as equipes. Além do uso intensivo de tiros de fuzil, o grupo recorreu a barricadas incendiadas e ao arremesso de granadas para impedir o avanço do Estado. O inquérito relata ainda que os homens chegaram a simular uma rendição com o objetivo de atrair os policiais para a área de disparos no momento em que as equipes tentavam resgatar as vítimas feridas no confronto.
Durante o ataque na operação, morreram os policiais civis Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho, Rodrigo Velloso Cabral e Rodrigo Vasconcellos Nascimento, além dos policiais militares Cleiton Serafim Gonçalves e Heber Carvalho da Fonseca. O delegado Bernardo Leal também foi baleado na ação, permaneceu internado por meses e precisou amputar uma das pernas em decorrência dos ferimentos.
Prisões e desdobramentos operacionais
No decorrer da operação do ano passado, sete suspeitos que se escondiam na área de mata foram presos pelas equipes de segurança. Com eles, os agentes apreenderam sete fuzis e uma pistola Glock que apresentavam sinais recentes de utilização. Um oitavo envolvido, apontado como participante direto das ações contra os policiais, confessou o crime por meio de publicações em redes sociais e teve a prisão preventiva solicitada à Justiça.
Os 11 indiciados respondem pelo crime de homicídio qualificado. O indiciamento tipifica qualificadoras e agravantes como o emprego de emboscada, a utilização de armamento de guerra e o ataque direto a agentes de segurança pública no exercício de suas funções.
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