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Preço do diesel dispara 45% em postos de SP: "Está inviável", diz motorista

No rastro de especulações, litro do combustível chega a R$ 7,99 na capital; governo zera impostos para conter inflação

Rafael Batalha
RAFAEL BATALHA

12/03/2026 • 18:05 • Atualizado em 12/03/2026 • 18:05

Gasolina e etanol vão voltar a ficar mais caros

Gasolina e etanol vão voltar a ficar mais caros

Agência Brasil

O aumento repentino nos preços dos combustíveis pegou motoristas de surpresa nesta semana em São Paulo. Em um posto na Avenida dos Bandeirantes, na zona sul da capital, o valor do óleo diesel saltou de R$ 5,49 para R$ 7,99, representando uma alta de 45%. A gasolina comum também registrou reajuste no mesmo local, passando de R$ 5,75 para R$ 6,49, uma elevação de 13%.

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A disparada nos preços impacta diretamente profissionais que dependem do transporte para trabalhar. O caminhoneiro Vanderlei, que atua com carretos há 23 anos, relatou que o custo tornou sua atividade inviável. “Não tem condições de trabalhar mais. Eu tô parando o caminhão hoje. Eu coloquei o combustível para deixar o caminhão parado na garagem porque não tem condições mais”, disse.

"Vou ter que procurar emprego, voltar para a CLT depois de 23 anos de trabalho. Não sei nem se eu vou achar emprego, porque a gente vai ficando mais velho, não consegue arrumar emprego e eu não sei o que fazer. Eu vou ter que parar o caminhão na garagem, não tem condições", completou.

Especulação e falta de reajuste oficial

Apesar da alta nas bombas, especialistas e autoridades apontam que não houve um aumento oficial que justifique tais valores. O apresentador Joel Datena classificou a situação como "pura especulação". Segundo ele, donos de postos e distribuidoras estariam se antecipando a possíveis reflexos de conflitos internacionais, como as explosões no Oriente Médio, para lucrar sobre o estoque antigo.

A variação de preços entre estabelecimentos próximos reforça a tese de abuso. Em um posto vizinho, também na Avenida dos Bandeirantes, o aumento da gasolina foi de apenas 10 centavos (2%), enquanto o estabelecimento com preços elevados permanecia vazio.

Isenção de impostos para conter crise

Para tentar frear o índice inflacionário e proteger o setor de transportes, o governo federal anunciou medidas tributárias urgentes. Um novo decreto zerou as alíquotas de PIS e Cofins sobre o óleo diesel. A medida visa evitar que o aumento do combustível encareça produtos básicos, como alimentos, que dependem do frete rodoviário.

A isenção dos impostos federais deve valer, inicialmente, até o final de maio, com possibilidade de prorrogação até o fim do ano.

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