Uma moradora do bairro do Tatuapé, em São Paulo, que teve sua casa destruída pela explosão de uma fábrica clandestina de fogos de artifício, enfrenta um novo e inacreditável problema: uma notificação da Prefeitura para que conserte seu imóvel ou tenha que arcar com uma multa. O caso foi denunciado no programa Brasil Urgente.
Dona Nice, moradora do local há 30 anos, foi surpreendida ao receber uma intimação da Prefeitura de São Paulo. Inicialmente, ela pensou que os agentes públicos estavam ali para oferecer ajuda, mas a realidade foi o oposto. O documento exige que ela realize os reparos em seu imóvel, severamente danificado, em um prazo de apenas cinco dias. Caso contrário, será penalizada com uma multa diária.
"Não tenho da onde tirar, é muito dinheiro", desabafou Dona Nice durante a reportagem. Ela explicou que vive com um salário mínimo e que os primeiros orçamentos para a reforma chegam a R$ 50 mil, um valor impossível para sua realidade. "Meu apartamento estava totalmente arrumadinho. Agora, está destruído", lamentou.
As imagens exibidas mostram a dimensão da tragédia que atingiu a vizinhança: telhados inteiros vieram abaixo, paredes racharam, vidros estilhaçaram e carros foram danificados pela força da explosão, que matou o dono dos explosivos. A casa de Dona Nice, que fica a poucos metros do epicentro, sofreu danos estruturais graves, incluindo a destruição do telhado e das janelas.
Segundo a moradora, representantes da subprefeitura estiveram no local, mas ao ser questionados sobre ajuda financeira, a resposta foi negativa. A orientação foi apenas para que ela se dirigisse à sede da subprefeitura para "apresentar o problema e conversar", sem qualquer garantia de auxílio.
Vice-prefeito declara apoio e descarta multas
Após a polêmica notificação que exigia a reforma de imóveis danificados pela explosão no Tatuapé sob pena de multa, o vice-prefeito de São Paulo, Coronel Mello Araújo, interveio no caso e garantiu que nenhuma das vítimas será penalizada. Em entrevista ao programa Brasil Urgente, ele esclareceu a situação e anunciou medidas de apoio para as famílias afetadas.
"Ninguém vai ser multado", afirmou o vice-prefeito. Ele explicou que a notificação com o prazo de cinco dias, emitida por um fiscal, segue uma legislação municipal, mas se refere ao tempo para dar entrada na documentação de reforma, e não para a conclusão das obras. Araújo classificou a ação como "equivocada" e um "fato desagradável", considerando o sofrimento das famílias.
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