Brasil Urgente

Rodolfo Schneider fala sobre criminalidade no Rio: "O presídio controla muito a rua"

Durante o "Brasil Urgente", o jornalista Rodolfo Schneider afirmou que a onda de terror na cidade, em retaliação à megaoperação, só acontece com "ordem e anuência de dentro do presídio", revelando a verdadeira cadeia de comando do crime

Da redação
DA REDAÇÃO

28/10/2025 • 17:53 • Atualizado em 28/10/2025 • 17:53

Enquanto as ruas do Rio de Janeiro se transformavam em um campo de batalha, com 64 mortos na mais letal operação da história do estado, uma análise contundente no programa "Brasil Urgente" apontou para a origem do caos: o sistema prisional. Segundo o jornalista Rodolfo Schneider, a retaliação do Comando Vermelho, que incluiu o fechamento de vias expressas e a instauração do pânico na cidade, não foi uma ação espontânea, mas uma ordem direta vinda de dentro das cadeias.

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"Ninguém faz o que faz no Rio de Janeiro, do jeito que eles estão fechando hoje várias áreas, várias vias expressas... Ninguém toca esse terror se não tiver ordem e anuência de dentro do presídio. O presídio controla muito a rua", afirmou Schneider de forma categórica.

A análise expõe uma guerra travada em duas frentes. Na rua, o alvo principal da operação era o traficante conhecido como "Doca", descrito como o "líder supremo" da facção na região do Complexo da Penha. No entanto, Schneider e o âncora Joel Datena destacaram que, mesmo com seu poder, Doca é um executor de ordens de uma cúpula ainda mais poderosa, composta por criminosos como Marcinho VP e Fernandinho Beira-Mar, que continuam a comandar suas facções de dentro de presídios, incluindo os de segurança máxima.

"Ele [Doca] é talvez, fora dos presídios, a principal força", ressaltou Schneider, fazendo uma distinção crucial entre o poder operacional nas ruas e o poder estratégico que permanece intacto atrás das grades.

Diante dessa realidade, Schneider defendeu que o combate ao crime precisa ser intensificado dentro do sistema penitenciário. "Aperta lá pra eles, dá recado lá, pega mais pesado ali para quem dá ordem para fora, que você vai ver que as coisas podem mudar", sugeriu, argumentando que os líderes encarcerados precisam sentir as consequências diretas dos atos de terror que ordenam.

Joel Datena complementou, afirmando que, embora seja impossível impedir completamente a comunicação dos presos com o mundo exterior, as ordens emitidas precisam ser severamente punidas. "Ele [o bandido] tem que ser responsabilizado por ela", disse.

A discussão revela que, enquanto a polícia combate os "soldados" e "gerentes" nas favelas, os "generais" da guerra continuam a ditar as regras do jogo a partir de suas celas, demonstrando que a fumaça que sobe do asfalto tem sua origem nos corredores do sistema prisional.

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