Brasil Urgente

"Segurança não é prioridade do Governo Federal", diz Cláudio Castro

Em entrevista exclusiva ao "Brasil Urgente", governador do Rio de Janeiro explicou por que a maior operação da história do estado foi realizada sem ajuda federal e criticou a postura do governo central, afirmando que, em vez de "ficar chorando e reclamando", decidiu agir

Da redação
DA REDAÇÃO

28/10/2025 • 17:21 • Atualizado em 28/10/2025 • 17:21

Cláudio Castro

Cláudio Castro

Agencia Brasil

Após a megaoperação que deixou um rastro de violência e mortes no Rio de Janeiro, o governador Cláudio Castro, em entrevista exclusiva ao "Brasil Urgente", justificou a ausência de apoio do governo federal na ação e fez duras críticas à postura da União em relação à segurança pública. Segundo Castro, pedidos de auxílio anteriores foram negados, o que levou o estado a agir por conta própria.

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Questionado pelo âncora Joel Datena sobre a falta de articulação com as Forças Armadas, apesar do planejamento de um ano para a operação, o governador revelou que o entrave se deu em solicitações passadas. "Das outras vezes, pelo menos três ocasiões que nós pedimos auxílio dos blindados deles [das Forças Armadas], a Marinha do Brasil disse que não poderia emprestar porque precisaria de uma GLO [Garantia da Lei e da Ordem]", explicou.

Castro argumentou que, como o Presidente da República já se declarou publicamente contrário ao uso de GLOs, o governo estadual optou por não insistir em um pedido que, provavelmente, seria negado. "Ao invés de ficar chorando, reclamando, nós fomos trabalhar", afirmou, destacando que a decisão gerou polêmica.

O governador aproveitou para fazer uma crítica mais ampla, afirmando que a segurança pública não é tratada como prioridade pelo governo federal. "A gente não enxerga isso como prioridade do governo federal", disparou. Embora tenha elogiado ações pontuais da Polícia Federal, como o fechamento de uma fábrica de fuzis, ele criticou a falta de eficácia no controle de fronteiras e na lavagem de dinheiro, fatores que, segundo ele, permitem que as facções criminosas acumulem um "poder bélico e financeiro incalculável".

Respondendo a uma pergunta do jornalista Rodolfo Schneider sobre a possibilidade de pedir uma GLO no futuro, Castro disse que é favorável a uma integração entre as forças, mas não a uma intervenção federal que substitua o trabalho da polícia estadual. "Eu não acho que precisa que o governo federal faça o trabalho do governo estadual.

O governo estadual está pronto para fazer o seu trabalho", defendeu, acrescentando que solicitaria ajuda para necessidades específicas, como o uso dos blindados, que são essenciais para romper as barricadas do tráfico.

A fala do governador expõe o desgaste na relação entre os governos estadual e federal no combate ao crime e reforça a percepção de que, na luta contra um inimigo com poderio nacional, o Rio de Janeiro se sente agindo de forma isolada.

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