
Calor e tempo seco dificultam combate aos incêndios florestais na Grécia
REUTERS/Louisa Gouliamaki
O calor extremo por um período prolongado durante o verão europeu deve provocar efeitos adversos sobre o Produto Interno Bruto (PIB) de -1% na União Europeia, na avaliação do Triodos Bank, uma instituição com sede nos Países Baixos. Esse porcentual equivaleria a cerca de € 180 bilhões (cerca de R$ 1 trilhão).
Ainda que isso possa parecer modesto, o valor é exatamente o crescimento econômico esperado para a UE este ano, diz o banco. O calor e a seca já reduziram as previsões de produção agrícola e leiteira da UE para 2026 e a consequente perda de produção e a transmissão dos preços dos alimentos apontam, em conjunto, para um impacto no PIB de cerca de 0,15 ponto porcentual para a UE como um todo.
Na visão do banco, a produtividade do trabalho tem o maior impacto econômico, especialmente em setores expostos ao calor e em países com baixa aclimatação ou penetração de ar-condicionado. O Tríodos cita que a produção do trabalhador cai consideravelmente quando as temperaturas ultrapassam um limiar em torno de 25ºC e 30ºC. Os efeitos concentram-se em trabalhos fisicamente exigentes, ao ar livre ou em ambientes sem climatização.
Um trajeto para o trabalho em dias quentes também é um fator de risco, tanto porque pode afetar o funcionamento cognitivo quanto porque simplesmente aumenta o absenteísmo, já que em dias extremamente quentes, menos pessoas chegam ao trabalho. --Triodos
O banco cita uma análise comparativa de dados de diversos países, realizada pela Allianz para quantificar essa perda de produtividade em nível macro. Há aproximadamente 3% de perda de produção por hora trabalhada para cada grau acima do limite de 30ºC, mantida por vários dias, pontua o banco.
O impacto médio estimado na UE mascara grandes diferenças entre os países. O banco prevê que a França sofrerá o maior impacto econômico este ano, já que sua força de trabalho e infraestrutura não estão acostumadas às temperaturas elevadas. Além disso, há uma penetração de ar-condicionado abaixo da média.
Isso significa que a França poderá ter uma redução de 1,4 ponto porcentual no crescimento do PIB devido ao calor extremo. "Como a previsão do PIB para a França já era bastante baixa, isso pode resultar em uma contração econômica de cerca de -0,6% em 2026 em comparação com o ano passado", diz o banco.
Já a Polônia pode mostrar maior resistência. O país deverá ter apenas alguns dias quentes a mais do que o normal. Por isso, o Tríodos ainda vê crescimento econômico polonês de cerca de 2,9%.
Em vez de modelarmos o que os danos climáticos podem significar num futuro distante, vemos vastas áreas queimando enquanto usinas de energia são desativadas em resposta à falta de água. Este deveria ser o tipo de choque que faria as pessoas, e as instituições que as representam, agirem. --Triodos
Com Estadão Conteúdo
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