
Calor na Europa
REUTERS/Stelios Misinas
Um novo e alarmante relatório científico coloca a saúde pública no centro do debate sobre o aquecimento global. O documento intitulado "Contagem Regressiva em Saúde e Mudanças Climáticas", elaborado por mais de cem cientistas em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS), revela que a crise ambiental não é mais uma ameaça futura, mas uma causa direta de mortalidade em massa no presente.
De acordo com o estudo, o calor extremo é responsável pela morte de 546 mil pessoas anualmente em todo o mundo. Somente em 2024, ano considerado o mais quente da história, a fumaça proveniente de incêndios florestais causou outras 154 mil mortes, evidenciando o perigo respiratório imposto pela degradação ambiental.
O cenário crítico no Brasil e na América Latina
Os dados específicos para o Brasil e o continente latino-americano mostram uma realidade preocupante. No país, as queimadas têm um impacto severo, com uma média de 7,7 mil mortes anuais ligadas à inalação de fumaça entre 2020 e 2024. O calor também mata: estima-se que 3,6 mil brasileiros percam a vida anualmente por causas relacionadas a altas temperaturas.
O relatório destaca que a exposição a ondas de calor no Brasil aumentou drasticamente. Dos cerca de 15 dias de calor extremo enfrentados pelos brasileiros por ano, 94% não teriam ocorrido sem a influência direta das mudanças climáticas causadas pelo homem.
Seca extrema e recordes de temperatura
A geografia brasileira também está mudando. O estudo aponta que 72% das terras do país enfrentaram pelo menos um mês de seca extrema entre 2020 e 2024, um número dez vezes maior do que o registrado nas décadas de 50 e 60. Na América Latina como um todo, a temperatura média atingiu o recorde de 24,3°C em 2024, elevando o número de mortes por calor na região para 13 mil ao ano.
*Com informações da Agência Brasil.
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