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Buscas por 'onda de calor' bate recorde na França em meio à crise

Dados da Sala Digital mostram uma população em busca de orientações na internet para enfrentar as altas temperaturas, enquanto balanços preliminares apontam milhares de mortes acima do esperado na Europa

Da redação
DA REDAÇÃO

05/07/2026 • 13:43 • Atualizado em 05/07/2026 • 13:43

Calor na Europa

Calor na Europa

REUTERS/Alice Sacco

A onda de calor extrema que atingiu a Europa na segunda quinzena de junho começa a ser dimensionada. Dados preliminares apontam para milhares de mortes acima do esperado e sobrecarga nos sistemas de saúde de diferentes países. A população idosa foi a mais afetada pelas altas temperaturas.

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Na internet, as buscas acompanharam a dimensão da crise. Um levantamento da Sala Digital, com base em dados do Google Trends, mostra que o interesse por “onda de calor” na Europa aumentou 435% entre 16 e 23 de junho, mais do que quintuplicando em relação ao período anterior.

Nenhum país buscou tanto pelo assunto quanto a França. No período analisado, o interesse dos franceses pelo atingiu o maior patamar já registrado no país, com aproximadamente o dobro do pico histórico anterior, observado em junho de 2025.

Mais de 2 mil mortes na França

A semana de 22 a 28 de junho foi marcada por temperaturas extremas no continente. A França registrou 2.025 mortes a mais do que na semana anterior, um aumento de quase 30%, segundo informações da ministra da Saúde francesa, Stéphanie Rist.

O país chegou a marcar 44,3° C em Pissos, na região da Nova Aquitânia. Foi o maior pico de temperatura do país desde o início das medições meteorológicas em 1947.

O impacto foi maior entre a população idosa. Cerca de 85% dos óbitos registrados no período ocorreram entre pessoas com 65 anos ou mais.

Os dados são preliminares e não significam que todas essas mortes tenham sido provocadas diretamente pelas altas temperaturas. O balanço considera os óbitos registrados durante o período da onda de calor e ainda pode crescer à medida que novos registros forem incorporados.

Buscas por soluções para o calor

Enquanto as temperaturas subiam, as pesquisas no Google revelavam uma população em busca de informações práticas e orientações sobre como atravessar os dias mais quentes.

“Quanto tempo vai durar a onda de calor?”, “o que fazer durante a onda de calor?”, “que horas devo abrir as janelas?” e “como refrescar um quarto?” estavam entre as perguntas mais buscadas pelos franceses. Também apareceram dúvidas sobre os alertas emitidos pelas autoridades e até sobre os cuidados com os animais.

A Europa concentrou, com larga diferença, o maior interesse mundial por “onda de calor” no período analisado pela Sala Digital. A França liderou o ranking entre os países e registrou três vezes mais interesse do que o segundo colocado, Luxemburgo.

As buscas não medem diretamente medo ou percepção de risco. Mas mostram que, enquanto as temperaturas atingiam níveis extremos, milhões de pessoas tentavam entender quanto tempo o calor duraria, quais regiões estavam em alerta e, principalmente, o que fazer para se proteger.

Impacto sentido em diferentes países

Em um período mais amplo do que o analisado nos dados franceses, entre 18 e 29 de junho, a Bélgica registrou 1.222 óbitos acima do esperado. As autoridades afirmaram que esse foi o maior número diário de mortes registrado no país desde a primeira onda da pandemia de Covid-19.

No mesmo período, a Holanda registrou cerca de 480 mortes a mais do que o esperado, segundo estimativa publicada pelo Instituto Nacional de Saúde Pública e Meio Ambiente (RIVM).

Na Espanha, dados divulgados pelo Instituto de Saúde Carlos III apontam para 1.028 mortes relacionadas ao calor ao longo de junho, mais do que o dobro do registrado no mesmo mês do ano passado.

Os números utilizam metodologias diferentes e ainda são provisórios. Por isso, devem ser analisados com cautela.

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