
Calor na Europa
REUTERS/Alice Sacco
A onda de calor extrema que atingiu a Europa na segunda quinzena de junho começa a ser dimensionada. Dados preliminares apontam para milhares de mortes acima do esperado e sobrecarga nos sistemas de saúde de diferentes países. A população idosa foi a mais afetada pelas altas temperaturas.
Na internet, as buscas acompanharam a dimensão da crise. Um levantamento da Sala Digital, com base em dados do Google Trends, mostra que o interesse por “onda de calor” na Europa aumentou 435% entre 16 e 23 de junho, mais do que quintuplicando em relação ao período anterior.
Nenhum país buscou tanto pelo assunto quanto a França. No período analisado, o interesse dos franceses pelo atingiu o maior patamar já registrado no país, com aproximadamente o dobro do pico histórico anterior, observado em junho de 2025.
Mais de 2 mil mortes na França
A semana de 22 a 28 de junho foi marcada por temperaturas extremas no continente. A França registrou 2.025 mortes a mais do que na semana anterior, um aumento de quase 30%, segundo informações da ministra da Saúde francesa, Stéphanie Rist.
O país chegou a marcar 44,3° C em Pissos, na região da Nova Aquitânia. Foi o maior pico de temperatura do país desde o início das medições meteorológicas em 1947.
O impacto foi maior entre a população idosa. Cerca de 85% dos óbitos registrados no período ocorreram entre pessoas com 65 anos ou mais.
Os dados são preliminares e não significam que todas essas mortes tenham sido provocadas diretamente pelas altas temperaturas. O balanço considera os óbitos registrados durante o período da onda de calor e ainda pode crescer à medida que novos registros forem incorporados.
Buscas por soluções para o calor
Enquanto as temperaturas subiam, as pesquisas no Google revelavam uma população em busca de informações práticas e orientações sobre como atravessar os dias mais quentes.
“Quanto tempo vai durar a onda de calor?”, “o que fazer durante a onda de calor?”, “que horas devo abrir as janelas?” e “como refrescar um quarto?” estavam entre as perguntas mais buscadas pelos franceses. Também apareceram dúvidas sobre os alertas emitidos pelas autoridades e até sobre os cuidados com os animais.
A Europa concentrou, com larga diferença, o maior interesse mundial por “onda de calor” no período analisado pela Sala Digital. A França liderou o ranking entre os países e registrou três vezes mais interesse do que o segundo colocado, Luxemburgo.
As buscas não medem diretamente medo ou percepção de risco. Mas mostram que, enquanto as temperaturas atingiam níveis extremos, milhões de pessoas tentavam entender quanto tempo o calor duraria, quais regiões estavam em alerta e, principalmente, o que fazer para se proteger.
Impacto sentido em diferentes países
Em um período mais amplo do que o analisado nos dados franceses, entre 18 e 29 de junho, a Bélgica registrou 1.222 óbitos acima do esperado. As autoridades afirmaram que esse foi o maior número diário de mortes registrado no país desde a primeira onda da pandemia de Covid-19.
No mesmo período, a Holanda registrou cerca de 480 mortes a mais do que o esperado, segundo estimativa publicada pelo Instituto Nacional de Saúde Pública e Meio Ambiente (RIVM).
Na Espanha, dados divulgados pelo Instituto de Saúde Carlos III apontam para 1.028 mortes relacionadas ao calor ao longo de junho, mais do que o dobro do registrado no mesmo mês do ano passado.
Os números utilizam metodologias diferentes e ainda são provisórios. Por isso, devem ser analisados com cautela.
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