Jornal da Band

AMAN: academia que forma os futuros líderes do Exército completa 215 anos

Instituição nascida em 1811 combina ensino superior, disciplina e prática de campo para preparar quem vai comandar a tropa

Márcio Campos
MÁRCIO CAMPOS

03/07/2026 • 07:00 • Atualizado em 03/07/2026 • 07:00

A Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), instituição responsável por formar os oficiais que vão comandar o Exército Brasileiro, completou 215 anos em 2026. Localizada em Resende, no Rio de Janeiro, a academia prepara homens e mulheres para a liderança militar por meio de uma formação que combina ensino superior, disciplina e treinamento pesado.

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Para quem passa por ela, a AMAN carrega significados que vão além do currículo. Os cadetes a definem como uma escola de líderes e uma casa de valores, um espaço de superação e de desenvolvimento pessoal. É dali que saem os oficiais preparados para conduzir a tropa.

O contato com o armamento marca cada trajetória. Mesmo sendo filho de um sargento aposentado do Exército, o cadete Maurício de Bairros nunca havia puxado o gatilho antes de ingressar na Força. "Minha primeira experiência foi quando eu entrei no Exército", contou. Ele reconhece o peso da responsabilidade: "Tenho consciência do poder que tem um armamento desse aqui."

Instituição de ensino superior, a academia une aulas teóricas à formação prática. Todo o aprendizado em sala de aula é colocado à prova em situações de combate, e as simulações fazem parte da rotina. É nesse ambiente que os cadetes aprendem, na prática, a comandar um pelotão.

O processo é progressivo, como explica o comandante da AMAN, general de brigada Igor Lessa Pasinato: o cadete assume funções de menor patente e vai avançando "até ele finalizar no quarto ano o serviço de oficial".

A história da instituição remonta à Real Academia criada em 1811, no Rio de Janeiro, por Dom João VI. Com a independência do Brasil, o ensino militar foi reestruturado e passou por locais como a Praia Vermelha, no Rio, além da criação da Escola Militar do Realengo, nas primeiras décadas do século 20.

Em 1944, a academia foi transferida para Resende, sendo reconhecida oficialmente como Academia Militar das Agulhas Negras em 1951. Um dos motivos da mudança foi priorizar a formação militar. Segundo o tenente Jurandir Souza, chefe da Biblioteca da AMAN, o cadete precisava ser formado em um local sem influência externa, "tanto política como de outros grupos".

Hoje, o Exército Brasileiro dispõe de doutrinas e manuais próprios, que enfatizam as operações no Cerrado e na Amazônia, além das operações de garantia da lei e da ordem. Doutrina, explica o coronel Luiz Antonio Ferreira Marques Ramos, comandante do Corpo de Cadetes, é um conjunto de conhecimentos, táticas, técnicas e procedimentos sobre como empregar as tropas.

A formação do oficial é sustentada por três pilares: o ensino técnico-profissional, o ensino acadêmico e o moral. Para o coronel Marques Ramos, o modelo é singular. "Não há nenhuma outra academia militar no mundo que faça dessa forma que nós fazemos", afirmou.

Todos os anos, a AMAN forma cerca de 400 cadetes. A academia formou em 2021 a primeira turma de cadetes com participação de mulheres em mais de dois séculos de história. Para o cadete Maurício, o valor da instituição está no que ela representa para o futuro da Força: "Aqui são formados os oficiais do futuro."