
Câmara dos Deputados
Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
A Câmara dos Deputados aprovou, na última quarta-feira (18), um projeto de lei que estabelece o direito à aposentadoria para bolsistas de mestrado, doutorado e pesquisadores com dedicação exclusiva à ciência. A proposta, que agora segue para análise do Senado, representa uma mudança histórica na carreira acadêmica brasileira, que atualmente não possui vínculo empregatício formal com as agências de fomento.
O texto prevê que os pesquisadores passem a contribuir para a Previdência Social com uma alíquota de 11% sobre o valor do salário mínimo (atualmente em R$ 1.621). Em contrapartida, além da contagem do tempo de serviço para a aposentadoria, os profissionais passarão a ter direito a benefícios previdenciários essenciais, como licença-maternidade e cobertura por incapacidade ou doença.
Segundo o relator da proposta, o deputado e ex-presidente do CNPq Ricardo Galvão, a medida deve beneficiar entre 120 mil e 150 mil pesquisadores em todo o território nacional. Galvão argumenta que a falta de garantias previdenciárias é um dos principais fatores para a evasão de talentos e a desistência da carreira científica no Brasil.
Articulação orçamentária e proteção ao valor das bolsas
Para evitar que a nova contribuição previdenciária resulte em uma redução no rendimento líquido dos acadêmicos, o relator negocia um acordo com o governo federal para a ampliação dos orçamentos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
A estimativa é que sejam necessários R$ 140 milhões adicionais para a Capes e R$ 35 milhões para o CNPq. O objetivo é que as agências reajustem os valores das bolsas — que hoje variam de R$ 2.100 (mestrado) a R$ 5.200 (pós-doutorado) — para absorver o custo do recolhimento. A presidente da Capes, Denise Pires de Carvalho, tem acompanhado de perto a tramitação e apoia a medida.
Fim da insegurança jurídica e social
O projeto de lei também estabelece salvaguardas contra cortes futuros, proibindo o governo de reduzir o valor ou o número de bolsas no ano seguinte à publicação da nova lei. No relatório aprovado, destaca-se que a contribuição facultativa, embora permitida atualmente, é inviável para a maioria dos estudantes, que utilizam os recursos limitados da bolsa tanto para subsistência quanto para o custeio de materiais de pesquisa e livros.
Para Ricardo Galvão, a aprovação é um passo fundamental para tornar a carreira científica mais atrativa e competitiva. Ele ressalta que a medida oferece dignidade ao pesquisador e atua diretamente no combate à "fuga de cérebros", ao oferecer condições de seguridade social compatíveis com outras profissões de alta qualificação no mercado brasileiro.
Com informações do Estadão Conteúdo
Fique bem informado!
Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail
Escolha quais newsletters quer receber

