
Lula durante lançamento do plano Brasil Soberano III
Reprodução
A Câmara dos Deputados do Paraguai aprovou, em Assunção, uma resolução de repúdio às declarações do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva sobre a Guerra da Tríplice Aliança, feitas na última sexta-feira (24) durante um discurso em defesa de mais investimentos na área de defesa.
O que disse Lula sobre o conflito
Na fala que motivou a reação dos parlamentares paraguaios, Lula afirmou que, embora o Brasil prefira a paz, "nós gostamos de paz, mas um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil", ao citar o conflito travado no fim do século 19 entre o país vizinho e a Tríplice Aliança formada por Brasil, Argentina e Uruguai.
O presidente usou o episódio histórico como exemplo ao defender o fortalecimento das Forças Armadas e argumentar que o país deve estar preparado para eventuais ameaças externas.
Texto de repúdio e cobrança de troféus
Segundo o texto aprovado pela Câmara paraguaia, a resolução critica diretamente a forma como Lula mencionou o episódio histórico e acusa o presidente de distorcer a dimensão do conflito.
Repudia as declarações do presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, por distorcer e minimizar a dimensão histórica da guerra da tríplice aliança
O texto afirma ainda que o Legislativo paraguaio "reafirma o compromisso da honorável Câmara dos Deputados com a defesa da memória histórica da República do Paraguai" e exorta o Poder Executivo a promover esforços diplomáticos junto ao governo brasileiro.
Entre as medidas sugeridas, os deputados pedem que o Paraguai cobre formalmente a restituição do canhão Cristiano (El Cristiano), artefato utilizado pelas tropas paraguaias durante a guerra e levado como troféu pelos brasileiros, além de outros objetos considerados parte do patrimônio histórico nacional.
Memória da Guerra da Tríplice Aliança
A Guerra da Tríplice Aliança, conhecida no Brasil como Guerra do Paraguai, ocorreu entre 1864 e 1870 e é vista por historiadores como um dos conflitos mais sangrentos da América do Sul, com consequências profundas para a sociedade e a economia paraguaias.
No Paraguai, a memória do confronto com os países vizinhos ocupa papel central na construção da identidade nacional, e discursos públicos sobre o tema costumam gerar forte repercussão política e social.
Ao aprovar o texto de repúdio, a Câmara dos Deputados sinaliza preocupação com a forma como autoridades estrangeiras abordam esse período histórico e busca reforçar, no plano diplomático, a reivindicação por símbolos que os parlamentares consideram essenciais para a preservação da memória do país.
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