As ausências de candidatos aos debates promovidos pela Band neste domingo (9) foram criticadas por analistas durante a cobertura especial do Canal Livre após os confrontos. Deysi Cioccari, Fernando Schüller e Fernando Mitre avaliaram que deixar de participar dos encontros prejudica o debate democrático e tira do eleitor a oportunidade de avaliar os concorrentes diante do contraditório.
Eduardo Paes (PSD), no Rio de Janeiro, Sergio Moro (PL), no Paraná, e Pedro Brito (Novo), no Ceará, não participaram dos confrontos. Durante a análise, as ausências foram contrapostas à postura de Tarcísio de Freitas (Republicanos), que compareceu ao debate em São Paulo mesmo aparecendo à frente nas pesquisas eleitorais.
Para Deyse, a decisão de não participar afeta um dos princípios do processo democrático: o confronto entre ideias diferentes. A cientista política argumentou que os candidatos precisam estar dispostos ao contraditório mesmo quando a situação eleitoral ou o formato do encontro não são considerados favoráveis.
“Quando esses candidatos saem do debate, eles fogem do debate, me parece uma questão muito de legitimidade. Se a arena política me favorece, eu defendo ela. Se a arena política não está como eu gosto, eu fujo dela”, afirmou.
Segundo a cientista política, o debate também oferece ao eleitor uma oportunidade diferente daquela encontrada na propaganda eleitoral, já que coloca os concorrentes sob as mesmas regras e diante dos adversários.
“Você perde de dar uma oportunidade para o eleitor de ver todos os candidatos sem a maquiagem do marketing, sem a maquiagem da imagem, do horário eleitoral”, disse.
Na sua visão, essa exposição ganha ainda mais importância no início da campanha, quando parte do eleitorado ainda não definiu o voto. “Isso é quase que negação da democracia, porque a democracia pressupõe justamente o debate e o dissenso”, completou.
Schüler, por sua vez, afirmou que a decisão de faltar pode estar relacionada a estratégias das campanhas para proteger candidatos que não sejam considerados bons debatedores ou que estejam em situação confortável nas pesquisas e, por isso, possam virar alvo dos adversários.
Na avaliação do cientista política, porém, nenhuma dessas justificativas representa a postura mais adequada. Ele classificou esse movimento como uma possível “intromissão do marketing na democracia” e defendeu que a sociedade avalie a decisão dos candidatos de não participar.
Schüler ressaltou que o debate permite avaliar mais do que propostas. A postura, a capacidade de responder a questionamentos e o comportamento diante dos adversários também ficam expostos.
“Esta arena do debate é a arena da incerteza”, disse. “Ele não está no comício, ele não está na propaganda eleitoral, ele não está dando uma entrevista sozinho, ele está no contraditório.”
Fernando Mitre também avaliou que faltar aos debates pode representar um custo político para as candidaturas, principalmente diante da repercussão posterior dos confrontos nas redes sociais. “A ausência no debate é péssima ideia. Não ajuda mais candidato nenhum”, afirmou.
Segundo o jornalista, o impacto não fica restrito às horas de transmissão. Cortes e declarações dos confrontos continuam circulando posteriormente nas redes sociais, ampliando também as críticas direcionadas a quem decidiu não comparecer.
“Qualquer vantagem que ele possa considerar de não estar presente vira uma desvantagem enorme”, disse.
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