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Avanço em pesquisa clínica aproxima medicina do Brasil do padrão global

Oncologistas debatem as diferenças culturais no tratamento entre Brasil e Estados Unidos e destacam a expansão de estudos científicos no SUS

Da redação
DA REDAÇÃO

15/06/2026 • 06:00 • Atualizado em 15/06/2026 • 06:00

A qualidade dos centros de excelência da medicina privada no Brasil iguala-se aos principais serviços de saúde dos Estados Unidos, mas o cenário da pesquisa clínica ainda estabelece uma distância significativa entre os dois países. O oncologista Antonio Buzardi, que atuou por 13 anos em instituições norte-americanas, incluindo as universidades de Yale e Emerson, afirma e ementrevista ao Canal LIvre que o território americano permanece anos-luz à frente no desenvolvimento de novos tratamentos, impulsionado por investimentos que superam os índices globais.

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Apesar da disparidade no volume de recursos, o Brasil apresenta avanços estruturais na condução de protocolos internacionais.

O Instituto Vencer o Câncer, cofundado por Buzardi e pelo também oncologista Fernando Maluf, lidera a expansão da área científica nacional com a criação de 20 centros de pesquisa instalados em hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) situados em regiões vulneráveis do país.

A iniciativa permite que pacientes de localidades como Manaus tenham acesso a estudos clínicos integrados a universidades e hospitais de prestígio global, como Harvard, Memorial New York e MD Anderson, no Texas.

Diferenças culturais e o impacto da pesquisa no SUS

A relação entre médicos e pacientes expõe contrastes culturais marcantes no cotidiano hospitalar. Enquanto o modelo norte-americano adota uma postura pragmática e ágil, com consultas ginecológicas de rotina que duram entre cinco e seis minutos, o público brasileiro demanda maior proximidade e acolhimento.

De acordo com os especialistas, o comportamento dos pacientes no Brasil assemelha-se ao padrão cultural mexicano, caracterizado pelo vínculo afetivo com o profissional de saúde, o que motiva inclusive cidadãs residentes no exterior a retornarem anualmente ao país para consultas médicas.

No entanto, o diferencial competitivo da medicina global reside na capacidade de produzir ciência.

A consolidação dos novos centros no SUS atrai o interesse das indústrias farmacêuticas internacionais, que passam a enxergar o mercado nacional como um polo viável para o desenvolvimento de terapias inovadoras. Esse movimento descentraliza o acesso a tratamentos de alta complexidade e insere a população de baixa renda no ecossistema da inovação médica mundial.

Terapias celulares e protagonismo científico brasileiro

O mercado internacional acelera a introdução de tecnologias disruptivas, como as terapias celulares CAR-T, TEAL e os linfócitos engenheirados. Na Europa, especificamente em laboratórios na Alemanha, estudos focados em melanoma ocular com metástase hepática registram taxas de cura de 25% por meio de engenharia celular sofisticada.

O principal obstáculo dessas terapias inovadoras permanece no custo financeiro, com tratamentos de aplicação única estimados na ordem de 500 mil dólares nos Estados Unidos, precificados com base na projeção dos gastos de múltiplos anos de terapias convencionais.

Em paralelo ao mercado externo, a comunidade científica brasileira desenvolve estudos próprios que alteram diretrizes médicas globais. Uma pesquisa liderada pela equipe da Beneficência Portuguesa (BP), sob a coordenação de Fernando Maluf em parceria com 11 centros de saúde — majoritariamente vinculados ao SUS —, estabelece um novo padrão mundial para o tratamento do câncer de pênis avançado.

A enfermidade, que atinge de forma epidêmica populações socioeconomicamente vulneráveis nas regiões Norte e Nordeste, não registrava atualizações terapêuticas há sete décadas. O estudo brasileiro validou a combinação de imunoterapia com quimioterapia, consolidando a produção científica nacional na vanguarda da oncologia.