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Big techs podem ter pesado em decisão de tarifaço, diz presidente da CNI

Hegemonia chinesa também é outro fator, talvez o mais importante, nessa equação

Da redação
DA REDAÇÃO

12/07/2026 • 16:57 • Atualizado em 12/07/2026 • 16:57

Ricardo Alban, presidente da CNI

Ricardo Alban, presidente da CNI

Canal Livre

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, é o convidado do programa Canal Livre deste domingo (12). Durante o debate sobre os desafios da indústria brasileira diante da possível tarifaço dos Estados Unidos, ele avalia que foram vários os fatores que pesaram para esse impasse entre os dois países.

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Segundo Alban, um dos pontos de destaque pode ser o recente embate entre o Supremo Tribunal Federal (STF) com as big techs americanas, que resultou no reconhecimento da Corte da resposabilizada das plataformas por postagens criminosas ou ilícitas. “Isso, óbvio, nós percebemos que pesou bastante", afirmou ele.

Outro ponto levantado pelo especialista é o “fator China”. Para ele, Washington busca proteger sua indústria e recuperar a competitividade perdida diante da crescente hegemonia da China no mercado global. “Eu acho que o que se está discutindo, no fundo, no fundo, é a política industrial americana.”

Como que vamos proteger a indústria americana? É o que o americano está pensando. Como vamos proteger e termos fôlego para ganhar a competitividade que foi perdida, principalmente, para o comércio internacional com a China? Esse eu acho que é o ponto. --Ricardo Alban

Investigação contra comércio brasileiro

A proposta de taxação sobre produtos brasileiros é resultado de uma investigação conduzida por mais de um ano pelo escritório do representante comercial americano (USTR). O relatório preliminar apresentou um diagnóstico amplo, que Alban descreve como um "pacote" de preocupações heterogêneas.

Ao todo, os produtos brasileiros podem passar por uma taxação de 37,5%, o que será definido até o dia 15 deste mês. Desse percentual, 25% é uma taxa punitiva ligada a práticas comerciais, enquanto os outros 12,5% seriam aplicados por supostas falhas no combate ao trabalho forçado.

Alban classifica a sobretaxa como "exagerada", argumentando que a CNI analisou tecnicamente todos os pontos levantados e não encontrou evidências de que os produtos brasileiros comprometam a competitividade americana. Um dos pontos levantados no relatório é o desmatamento, que o Brasil reduziu em 60%.

Outros pontos monitorados pelos americanos são:

  • Sistemas de pagamento: O funcionamento do PIX;
  • Segurança e Fronteiras: Questões de informalidade, comércio de fronteira e o combate ao crime organizado;
  • Energia: O mercado de etanol.

Para o líder da CNI, o caminho deve ser a continuidade do diálogo técnico e diplomático para evitar que o Brasil seja penalizado em meio à disputa de hegemonia entre americanos e chineses.

O Canal Livre será transmitido na noite deste domingo (12), às 20h na BanNews TV e as 22h na Band. A apresentação será da jornalista Adriana Araújo, que contará com a presença, na bancada, dos também jornalistas Fernando Mitre, Juliana Rosa e Fernando Schüler.