Economia

Entenda por que o novo "tarifaço" de Trump preocupa os americanos no Google

Levantamento mostra que buscas por "tarifas alfandegárias" nos EUA são 24 vezes maiores que no Brasil e revelam medo da alta de preços

Da redação
DA REDAÇÃO

11/07/2026 • 18:03 • Atualizado em 11/07/2026 • 18:03

Brasil e Estados Unidos reagem à iminência de um novo “tarifaço”. A poucos dias do prazo final para o presidente Donald Trump decidir se aplica ou não uma tarifa de 25% sobre importações de mercadorias brasileiras, os dois países vão ao Google para entender a proposta de barreira alfandegária.

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No entanto, levantamento da Sala Digital indica que, nos últimos sete dias, as buscas por "tarifas alfandegárias" no Google nos Estados Unidos foram 24 vezes maiores do que no Brasil. As dúvidas mais frequentes mostram que o foco da preocupação dos norte-americanos é o impacto no bolso. Entre as perguntas mais buscadas, estão:

  • Tarifas causam inflação?
  • Para onde vai o dinheiro das tarifas?
  • Os americanos vão receber dinheiro da arrecadação das tarifas?

As tarifas alfandegárias podem causar inflação. Embora o objetivo da taxação seja pressionar o governo brasileiro, o custo pode ser repassado para as prateleiras norte-americanas.

Grandes corporações baseadas nos Estados Unidos, como Tesla, Coca-Cola e Nestlé, já alertaram a Casa Branca de que a taxação sobre insumos brasileiros essenciais vai encarecer a produção e, inevitavelmente, o preço final pago pelo consumidor norte-americano.

O que está em jogo?

O prazo legal para Washington anunciar se aplica ou não a nova barreira vence em 15 de julho. A proposta do governo Trump prevê duas frentes de sobretaxas que, somadas, podem elevar o custo de exportação de alguns produtos brasileiros para 37,5%:

  1. 25% de tarifa adicional: Baseada na investigação da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, sob a alegação de que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" as empresas americanas.
  2. 12,5% de tarifa adicional: Proposta para 60 países, incluindo o Brasil, por supostas falhas no combate ao trabalho forçado.

Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o pacote pode afetar mais de 4 mil mercadorias brasileiras, colocando em risco cerca de US$ 15 bilhões em exportações.

Os motivadores listados pelos EUA misturam questões comerciais e políticas: vão desde críticas à regulação de redes sociais pelo STF e a lentidão em patentes, até o sucesso do PIX, que o Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) vê como uma barreira que favorece o Banco Central em detrimento de operadoras de cartões americanas. O avanço do desmatamento ilegal e a falta de reciprocidade no mercado de etanol também pesam na lista.

Segundo a jornalista Juliana Rosa, colunista da Rádio BandNews FM, empresários de segmentos como máquinas, autopeças e calçados veem pouca margem para reverter o “tarifaço”.

O governo americano desenhou uma lista de exceções para evitar o desabastecimento de produtos estratégicos, como carne bovina, café em grão e medicamentos. Porém, itens essenciais ficaram de fora e correm o risco de receber a taxação, como café solúvel, mel e pescados.

Corrida para evitar o “tarifaço”

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, assinou uma contestação oficial classificando as acusações dos EUA como vagas e sem provas. Diante da dificuldade de reverter o tarifaço por completo, a estratégia brasileira se concentra em tentar ampliar a lista de produtos isentos.

Essa não é a primeira tentativa de “tarifaço” de Trump. Em 2025, o presidente impôs uma tarifa global de 10% usando a lei IEEPA, que acabou derrubada pela Suprema Corte americana em fevereiro de 2026. Para contornar a derrota judicial, o governo republicano acionou imediatamente a chamada Seção 122 para manter a sobretaxa ativa até o dia 24 de julho, enquanto costura a nova e agressiva investigação da Seção 301.

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