Resumo
Segundo dia de audiências públicas em Washington reúne empresários da indústria brasileira e representantes do USTR, que debatem a proposta de tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, em meio à preocupação do setor industrial nacional frente ao protecionismo dos EUA.
Divergência entre setores aparece nas audiências, com agronegócio beneficiado por exceções nas tarifas americanas e indústria enfrentando hostilidade, enquanto segmentos de máquinas, peças, insumos industriais e calçados veem poucas chances de reverter a taxação.
Críticas de empresários apontam falta de ação diplomática efetiva do governo brasileiro, sugerindo negociações mais pragmáticas com oferta de ativos concretos, enquanto o risco de sobretaxa de 25% preocupa o setor, podendo elevar alíquotas a até 37,5% em alguns setores a partir de 15 de julho.
No segundo dia de audiências públicas em Washington, realizado nesta terça-feira (7), empresários da indústria brasileira se reúnem com representantes do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) contra a proposta de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos do país.
O encontro na Comissão de Comércio Internacional ocorre sob a polêmica Seção 301 da Lei de Comércio americana e é visto com apreensão pelo setor industrial nacional, conforme apurado pela colunista de economia da BandNews FM, Juliana Rosa, devido à postura protecionista do governo americano.
Divergência entre setores e críticas à reação brasileira
Segundo Juliana Rosa, enquanto os representantes do agronegócio encontraram um ambiente técnico e favorável no primeiro dia de audiências — beneficiados pelo fato de que café, suco de laranja e carnes constam na lista de exceções das tarifas americanas, para evitar o aumento da inflação nos EUA —, a indústria brasileira enfrenta um clima hostil.
A colunista conversou com empresários de alguns setores, que confirmaram que segmentos como máquinas, peças, insumos industriais e calçados veem pouca margem para reverter a taxação iminente.
Segundo apuração da jornalista, representantes criticaram a postura do governo brasileiro na condução das negociações. A queixa central é de que o país carece de uma ação diplomática contundente e pragmática, nos moldes das negociações bilaterais adotadas por concorrentes como a União Europeia, o Japão e a Índia. Em vez disso, o envio de cartas jurídicas questionando a decisão americana tem gerado mais irritação do que soluções de negócios.
Juliana Rosa avalia que há um consenso de que o Brasil precisa colocar na mesa ativos concretos, como o mercado de etanol e terras raras, além de discutir termos em setores sensíveis, como o de veículos, para proteger a estabilidade econômica brasileira.
Empresários brasileiros agora, correm contra o tempo para evitar que a sobretaxa de 25% entre em vigor, que tem prazo final para começar a valeu no dia 15 de julho.
Caso as tarifas sejam confirmadas, as exportações nacionais poderão enfrentar alíquotas cumulativas de até 37,5% em alguns setores, por causa de outras contestações do comércio americano.
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