Setores produtivos brasileiros estão em uma corrida contra o tempo nos Estados Unidos para tentar impedir a implementação de novas taxas de exportação que podem encarecer a entrada de produtos nacionais no mercado americano em quase 40%. O prazo final para que um acordo seja selado entre os dois países termina no dia 15 deste mês.
A ofensiva americana ocorre após uma investigação apontar que certas políticas comerciais do Brasil seriam restritivas ao comércio dos Estados Unidos, o que motivou a proposta de uma taxa adicional de 25% como forma de "punição". Segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o impacto é massivo: 4.187 produtos podem ser afetados, o que representa cerca de US$ 15 bilhões em exportações brasileiras.
Entre os principais produtos na mira estão o pescado (como a tilápia) e o café. No caso do café, o Brasil possui uma vantagem estratégica, já que o mercado americano é dependente do grão brasileiro; uma taxação excessiva resultaria em aumento de preços para o consumidor dos EUA, tornando o mercado deles vulnerável.
Caso as novas tarifas sejam confirmadas e as exportações diminuam, a tendência é que ocorra uma superoferta desses produtos no mercado interno. Com a falta de escoamento para o exterior, o mercado nacional passará a ser a principal fonte de absorção, o que pode beneficiar o consumidor brasileiro com a queda do preço médio de itens como o peixe e o café.
Representantes brasileiros já iniciaram a participação em audiências públicas nos Estados Unidos para apresentar defesas técnicas. Um dos principais argumentos econômicos é que o Brasil já possui um déficit na balança comercial com os EUA — ou seja, os americanos vendem mais para o Brasil do que compram, o que enfraquece a alegação de que o comércio brasileiro prejudica a economia americana.
O desfecho dessa negociação definirá não apenas o futuro de bilhões de dólares em comércio exterior, mas também o preço de itens essenciais na mesa dos brasileiros nos próximos meses
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