
Caiado critica Congresso e aponta 'desordem' no sistema político
Reprodução/Band
Em entrevista ao programa Canal Livre, o ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD), fez duras críticas à atual configuração do poder em Brasília. Para Caiado, a relação entre os poderes Executivo e Legislativo sofreu uma "deformação" que compromete a governabilidade e a execução de políticas públicas.
Questionado pelo jornalista Fernando Mitre sobre como lidaria com um Congresso cada vez mais empoderado pelas emendas impositivas, Caiado relembrou seus tempos como parlamentar para traçar um contraste com o cenário atual.
Segundo o governador, o Congresso Nacional deixou de ser um palco de debates ideológicos e de conteúdo para se transformar em um centro de "despachantes de emendas".
"O debate era de conteúdo, era de aprovação de orçamento, de fiscalização do governo, e não eram verdadeiros despachantes de emenda impositiva", afirmou.
'Desordem Institucional'
Ao definir o atual sistema político brasileiro, Caiado descartou as etiquetas tradicionais de presidencialismo ou parlamentarismo. Para ele, o país vive hoje uma "desordem institucional".
O governador argumentou que a função original do Legislativo foi deturpada. Ele defende que as emendas parlamentares devem estar estritamente alinhadas ao projeto de governo eleito pela população, e não correrem por fora como um orçamento paralelo que compete com as prioridades do Executivo.
"Emenda impositiva só cabe aqui dentro [do projeto de governo]. Ela não cabe fora nem um milímetro", enfatizou Caiado, reforçando que o presidente da República detém a legitimidade do voto popular para ditar o rumo do país.
O Exemplo de Goiás
Para rebater o ceticismo sobre a possibilidade de governar com autoridade diante de um Legislativo forte, Caiado citou sua experiência em Goiás. Ele lembrou que, no início de seu mandato, muitos previam que ele seria "cassado" em poucos meses devido às reformas rigorosas que implementou.
No entanto, o governador destacou que encerrou seu primeiro ciclo com 88% de aprovação popular, sugerindo que o apoio direto da sociedade é o maior trunfo de um governante para manter a independência e a autoridade frente às pressões políticas.
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