
Cientista político mostra dados alarmantes sobre violência contra mulher
Reprodução/Band
O Brasil é um país de contrastes profundos e, muitas vezes, contraditórios. Esta foi a tônica da entrevista do cientista político Felipe Nunes, CEO da Quaest, ao programa Canal Livre. Ao discutir seu projeto "Brasil no Espelho", Nunes detalhou como a sociedade brasileira equilibra uma altíssima valorização da família com índices preocupantes de preconceito e violência contra a mulher.
O jornalista Fernando Mitre abriu o debate questionando a incoerência: como um povo que coloca a família no centro de tudo pode nutrir um preconceito tão acentuado contra a mulher, que é, em última análise, o pilar dessa mesma família? Nunes confirmou que o brasileiro é "paradoxal" e que seu livro busca justamente desmascarar essas hipocrisias.
Dados alarmantes e a normalização da violência
Um dos pontos mais chocantes da pesquisa revela que 40% dos homens brasileiros acreditam que uma mulher pode ou deve sofrer agressão em casos de infidelidade. Em contrapartida, apenas 3% das mulheres têm a mesma visão em relação à violência contra homens pelo mesmo motivo.
"Esses parâmetros de comparação são muito diferentes", destacou Nunes. Ele alertou que, para muitos homens, até mesmo um pedido de divórcio ou o término de um namoro é interpretado como "traição", o que ajuda a explicar os recordes de feminicídio registrados no país. Segundo o cientista, há uma "normalização perigosa" da violência física para uma parcela significativa da população masculina.
O "Espelho" sem filtros
A jornalista Adriana Araújo enfatizou o incômodo de encarar esses números, classificando-os como o dado mais impactante do estudo. Em resposta, Felipe Nunes explicou a escolha do título de seu projeto: "O espelho não mente. Ele te dá um retrato real e ele incomoda".
O objetivo do estudo, segundo o CEO da Quaest, é provocar a sociedade a refletir sobre suas próprias contradições e hipocrisias antes do ciclo eleitoral de 2026. "A partir do momento que você constata o que está vendo, abrimos a possibilidade de uma conversa a respeito", concluiu, reforçando que o diagnóstico é o primeiro passo para qualquer transformação social ou política no país.
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