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Costa Neto admite que PL não tinha provas de fraude nas urnas em 2022

Presidente do PL revelou em entrevista que técnicos do partido não encontraram indícios de irregularidades em 2022, mas que processo foi movido para não contrariar o ex-presidente

Da redação
DA REDAÇÃO

01/03/2026 • 23:38 • Atualizado em 01/03/2026 • 23:38

Em entrevista ao programa Canal Livre, o presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, fez uma admissão inédita sobre os bastidores da ação movida pela legenda que questionava o resultado das eleições presidenciais de 2022.

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O dirigente afirmou categoricamente que o partido “não tinha prova nenhuma” de fraude nas urnas eletrônicas, mas que deu prosseguimento ao processo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por insistência do então presidente Jair Bolsonaro.

A declaração ocorreu após questionamento do cientista político Fernando Schüler sobre a "ferida aberta" no país e a ação baseada em um relatório do Instituto Voto Legal, que sugeria discrepâncias entre urnas de modelos antigos e novos.

"Não achamos prova nenhuma"

Valdemar explicou que, inicialmente, o relatório apresentado pelo instituto apontava que, nas urnas de modelos anteriores, Bolsonaro venceria a eleição, enquanto nas urnas mais novas, Lula sairia vitorioso. Diante dessa anomalia estatística, ele acionou técnicos de sua confiança dentro do partido.

“O Luiz trabalhou a noite toda junto com o Duda para achar uma prova. E nós não achamos prova nenhuma. Não tinha nada”, declarou Valdemar. Ele reforçou que, apesar da estranheza nos dados apresentados pelo instituto contratado, não havia materialidade para contestar o pleito: “A base era aquela, aquela soma, não tinha como sair”.

A pressão e a recusa de Bolsonaro em assinar

Segundo o presidente do PL, a decisão de judicializar a questão, mesmo sem evidências, foi motivada por pressão política e rumores de que ele estaria negociando cargos com o governo Lula. Valdemar relatou que foi chamado por Bolsonaro após o segundo turno.

“O Bolsonaro me chamou e falou: 'Valdemar, precisamos entrar com processo disso aqui'. Eu falei: 'Não tem prova, Bolsonaro. Já levantamos tudo. É estranho, mas não tem prova'”, relatou.

Valdemar revelou ainda um detalhe crucial sobre a autoria da ação. Ao preparar o documento para entrada no TSE, ele o levou para que Bolsonaro assinasse. O ex-presidente, no entanto, recusou-se.

“Eu levei [o documento], falei: 'Tá aqui pronto, Bolsonaro, pode assinar'. Ele falou: 'Eu não assino isso'. Eu falei: 'Como? Você que é o candidato a presidente, você tem que assinar'. Ele disse: 'Eu não assino'”, contou Valdemar.

Orientado pelo advogado do partido, Marcelo Bessa, de que a legenda precisaria subscrever a ação, Valdemar decidiu assinar o documento para não desamparar seu aliado político. “O Bolsonaro já tá nessa situação, perdeu a eleição... Ele tá abatido demais, eu não quero contrariar o Bolsonaro. Eu vou assinar”, relembrou o cacique do PL.

Multa milionária e bloqueio de contas

A consequência da ação, considerada litigância de má-fé pelo presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes, foi uma multa de quase R$ 23 milhões imposta à coligação de Bolsonaro.

Valdemar lamentou o desfecho financeiro, destacando que Moraes bloqueou imediatamente as contas do partido, impedindo até mesmo o direito de defesa prévio sobre a punição. “Ele bloqueou todas as minhas contas. Minha conta de recurso próprio [...] e minha conta do Fundo Partidário. Nós ficamos sem um tostão”, afirmou, citando que precisou pedir o desbloqueio de verbas para pagar a folha de pagamento dos funcionários do partido.

“Se arrependimento matasse”, comentou um dos jornalistas da bancada, ao que a narrativa de Valdemar confirmou o alto custo político e financeiro de uma ação que, segundo ele próprio, não possuía base probatória.